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Entrevista: Dirceu Broch – pesquisador da Fundação MS, especialista em integração lavoura pecuária

A Síntese desta entrevista foi publicada na revista JC Maschietto, edição nº 9, de setembro de 2011.

A Fundação MS é um dos grandes nomes do conhecimento científico para a agropecuária brasileira e uma das pioneiras na iniciativa privada do Centro-oeste. Foi criada em 1992 para atender à demanda de produtores da Cooperativa Agropecuária e Industrial (Coagri), em Maracaju, sudoeste sul-mato-grossense, que queriam ajustar à realidade local o sistema de plantio direto e validar novas tecnologias.

A instituição deu tão certo que transformou a realidade da região. Se na cultura da soja, por exemplo, na década de 90 produzia-se ali 30 sacas por hectare, essa média chega, atualmente, a 50 sacas por hectare, com alguns produtores alcançando até 60, 65 sacas. Hoje, trafegar por aquele recanto do Brasil é vislumbrar um dos mais belos cenários da produção agrícola do país. Maracaju é o primeiro município no ranking da produção de soja do estado, o quinto em movimentação econômica e no índice de desenvolvimento humano municipal está na oitava posição.

19 anos depois, com todo esse histórico de realizações, a Fundação MS sobreviveu à autoliquidação da Coagri. O reconhecimento de seu trabalho veio com a mobilização da sociedade rural para garantir sua continuidade. Hoje, a instituição também é sinônimo de integração lavoura pecuária, sistema misto de exploração de agricultura e criação de gado, com benefícios como recuperação de pastagens degradadas.
O agrônomo Dirceu Luis Broch, gaúcho de Espumoso, 44 anos, é pesquisador da casa há 16 anos e autoridade em integração lavoura pecuária, com inúmeras publicações no meio científico. Atual diretor executivo da Fundação MS, sua trajetória de vida se confunde com a da instituição. Numa fria manhã de agosto, após a primeira geada do inverno, ele recebeu nossa repórter na sede da Fundação para conversar sobre diversos temas, entre os quais, os desafios da agricultura e da pecuária e como a equipe de 50 colaboradores que coordena trabalha para encurtar a distância entre a pesquisa e o dia a dia do produtor rural brasileiro.

Revista JCM: Qual é a sua formação?
Broch: Eu me formei em agronomia. Sou engenheiro agrônomo. Sou mestre em agronomia, mas, na área de Concentração de Tecnologias de Sementes. Eu fiz graduação e mestrado na Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Eu sou do Rio Grande do Sul, natural de Espumoso. Fica perto de Passo Fundo, na região central-norte do Rio Grande do Sul.

Revista JCM: Como o agrônomo Dirceu Broch chegou à Fundação MS?
Broch: Eu fiz mestrado junto com um agrônomo que trabalhava na Coagri (Cooperativa Agropecuária e Industrial), aqui em Maracaju. E quando eu estava terminando o mestrado, ele ficou sabendo que havia uma vaga na Fundação MS e meu avisou. No término do meu mestrado, eu entrei em contato com a Fundação MS, vim aqui fazer uma entrevista e fui selecionado para começar a trabalhar. Isso foi em 95, então, eu estou, efetivamente, há 16 anos trabalhando na Fundação MS.

Revista JCM: Conte-nos um pouco da sua história... De onde vem?

Broch: Eu sou de uma família humilde, de pequenos produtores do Rio Grande do Sul. Nós somos em 11 irmãos, 6 homens e 5 mulheres. Então, dos 11 irmãos, 4 irmãs se formaram e, dos filhos homens, o único que se formou fui eu. Tenho um irmão mais velho que é o orgulho da família, que é o presidente da Contag, em Brasília, e os outros irmãos trabalham, no Sul, com a lavoura, são pequenos produtores de vaca de leite. Eu vim na Fundação MS e comecei a trabalhar como pesquisador em fertilidade de solos. Então, além de fertilidade de solos, eu comecei a fazer um trabalho com plantio direto e integração lavoura pecuária. A Fundação MS é uma das instituições de pesquisa pioneiras em trabalhos com integração lavoura pecuária. Começamos em 1992, desde a criação da Fundação. Já a partir de 95, quando iniciei, fiz muitos trabalhos sobre integração. Ao longo dos anos vimos desenvolvendo e difundindo novas tecnologias para reformar pastagens degradadas através da integração lavoura pecuária.

Revista JCM: O senhor constituiu família aqui?

Broch: Eu conheci minha esposa lá na faculdade, durante o mestrado. Então, no término do mestrado a gente se casou e ela veio para cá comigo. Ela é formada em farmácia e bioquímica, ela trabalha, hoje, aqui no município de Maracaju, é concursada da prefeitura. Trabalha no Laboratório Central. Temos dois filhos, a Fernanda, que tem 15 anos, e o Felipe, que tem 10 anos.

Revista JCM: A Fundação foi o seu primeiro emprego?

Broch: Depois de formado, sim. Eu, antes de me formar, eu trabalhei com pecuária 60 dias, numa empresa lá em Espumoso, até passar no vestibular. Depois que eu me formei agrônomo, antes de começar o mestrado, eu trabalhei 3 meses na região de Campo Verde e Primavera do Leste, em Mato Grosso, como temporário numa multinacional, onde eu acompanhava a aplicação de herbicida. Trabalhei 3 meses e desliguei-me da empresa para começar o mestrado lá em Pelotas.

Revista JCM: O senhor imaginava que teria essa trajetória?

Broch: Eu sempre tive no meu íntimo e no meu sangue a questão de novas fronteiras. Eu sempre falava: “quero me formar e quero ir pro Mato Grosso”. Então, eu sempre quis sair do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Santa Catarina. Não que eu não goste de lá, mas, sempre vislumbrava que no Mato Grosso tinha mais campo de trabalho, áreas maiores, muito mais áreas a serem plantadas, pastagens e pecuária. Deu certo, porque estou aqui, praticamente, há 16 anos dentro da mesma empresa. Ajudei e contribuí, junto com os colegas, para o desenvolvimento e crescimento dela. Hoje, a Fundação MS é um órgão de pesquisa respeitado em nível nacional e sei que tenho minha parcela de contribuição dentro desse processo.

Revista JCM: Como surgiu a Fundação MS?

Broch: A Fundação MS surgiu em 92, com os sócios da Coagri (Cooperativa Agropecuária e Industrial). A Coagri era a maior cooperativa aqui de Mato Grosso do Sul e seus associados, oriundos do Rio Grande do Sul, do Paraná, gostariam de ter tecnologias mais rápidas e adaptadas para eles. As tecnologias da Embrapa e das Universidades eram muito importantes, mas, não chegavam a tempo da necessidade dos produtores. Muitas vezes, as informações eram obtidas com base em pesquisas de outros Estados, em condições de clima e solo diferentes do Mato Grosso do Sul. Estava começando, no final da década de 80, o plantio direto. Os produtores iam ao Paraná ver o plantio direto de lá, tentavam fazer e não dava certo. Havia a necessidade de se ajustar o plantio direto e ver tecnologias de qualidade, correção do solo, adubação, rotação de cultura, dentre outras. Os sócios da cooperativa Coagri foram à Fundação ABC, em Castro, no Paraná, e resolveram também criar um órgão de pesquisa próximo do produtor. Foi uma demanda de produtores rurais, ligados à Coagri, que deu o pontapé inicial criando a Fundação MS. Como uns dois anos atrás essa cooperativa entrou em autoliquidação, o estatuto da Fundação MS foi reformulado e novos mantenedores foram compostos. Hoje, a Fundação MS, em vez de uma mantenedora, tem três mantenedores institucionais- a Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), a Associação dos Produtores de Soja de MS (Aprosoja) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB/MS), além dos mantenedores produtores rurais. São os produtores que contribuem diretamente com a Fundação.

Revista JCM: Isso é um grande salto?

Broch: Um belo salto. As portas que se abrem para a Fundação MS são muito importantes. Novas idéias e novos rumos estão sendo tomados que certamente serão decisivos para o crescimento da instituição.

Revista JCM: A Fundação nasceu para encurtar a distância entre as pesquisas, as novas tecnologias e o dia a dia do homem do campo. Quais foram os resultados alcançados ao longo dessas décadas de trabalho?

Broch: Aqui, e praticamente em todo o estado, se produzia muito pouco. A média era de 30 sacas de soja, 35 sacas de soja por hectare. Hoje, na região de Maracaju, que é a sede da Fundação MS, nós saímos de 30 sacas de soja por hectare para 50 sacas de soja por hectare, na média. Temos produtores colhendo, hoje, 60, 65 sacas de soja por hectare. Graças muito à contribuição da Fundação MS nesse contexto. Novas cultivares de soja e híbridos de milho foram desenvolvidos e adaptados. Hoje, temos mais segurança ao produzir, sabemos qual a melhor época de semeadura, temos todas as informações sobre o manejo e fertilidade do solo, melhoramos o plantio direto, através do consórcio milho safrinha e pastagem, através da rotação de culturas com a pecuária, integração lavoura pecuária. A Fundação deu o norte, deu a base sólida tecnológica para que o produtor pudesse usar a tecnologia fácil e de resultados imediatos. Então, ele vem no dia de campo, ele vem numa palestra que nós apresentamos e já põe em prática essas informações e já começa a colheita de resultados.

Revista JCM: A independência e a rapidez entre pesquisa e prática respaldaram todo esse crescimento?

Broch: Sem dúvida. Devido a essa proximidade com o produtor a Fundação MS assimila rapidamente sua demanda e trabalha para resolver o problema. Imediatamente as informações são repassadas pra ele. Através de publicações também. Todos os anos são publicados os resultados dos trabalhos de pesquisa com as culturas da soja e do milho. Esses trabalhos são conduzidos com variedades, épocas de semeaduras, controle de plantas daninhas, pragas e doenças, manejo e fertilidade do solo, custos de produção etc. Recentemente, foi conduzido um trabalho que subsidiou um ajuste no Zoneamento Agrícola da Cultura da Soja no Mato Grosso do Sul. O período de plantio foi antecipado em 20 dias. Conseqüentemente, se antecipa, também, o plantio de milho safrinha. Na integração lavoura pecuária isso também permite a antecipação da formação de pastagens no inverno.

Revista JCM:
 Hoje vocês atendem o Brasil inteiro?
Broch: Existem outras instituições de pesquisa como a Fundação MT, no Mato Grosso, e como a Embrapa, que trabalha em nível nacional. A Fundação MS participa das reuniões da soja no Centro-oeste pra ajudar a tomar as decisões e uso de tecnologias para cultura da soja. Vários produtores ou técnicos de outros estados vêm buscar informações aqui, trocar experiências com a Fundação MS. A tecnologia se adapta a cada microregião.

Revista JCM: Vamos falar um pouco de integração lavoura pecuária. Como está hoje a aceitação dessa tecnologia?

Broch: Em termos de integração lavoura pecuária, a Fundação MS é uma das instituições de pesquisa que têm mais experiência em nível de Brasil. Prova disso é que o Governo Federal, juntamente com o Governo Estadual, estão lançando o programa ABC- Agricultura de Baixo Carbono, que está sendo apoiado pela Embrapa. Tivemos um encontro com representantes da Central do Banco do Brasil, da Embrapa, o secretário nacional do Ministério da Integração, Marcelo Dourado, a secretária estadual de Produção, Tereza Cristina Correa da Costa, dentre outros que queriam conhecer uma fazenda referência em integração lavoura pecuária em áreas arenosas. Dentro do Centro-oeste, encontraram aqui, na Fundação MS, um produtor ligado à Fundação MS, em Ribas do Rio Pardo. Nós fizemos uma visita técnica, mostramos toda a tecnologia que pode ser feita na recuperação de pastagens degradadas em áreas marginais, áreas com 8% de argila, onde nós estamos conseguindo produzir 60 sacas de soja por hectare, 4 a 5 cabeças de gado por hectare na integração lavoura pecuária. Ou seja, pra nós foi uma satisfação muito grande ter parceiros da Fundação MS sendo referência nacional em integração lavoura pecuária. No Centro-oeste  existem 50 milhões de hectares de pastagens degradadas. No Mato Grosso do Sul, existem 9 milhões de hectares de pastagens degradadas. Desses 50 milhões do Centro-Oeste, se 25% fizessem a integração, teria-se 12 milhões de hectares de grãos e carne, sem derrubar uma floresta, uma árvore. Essas áreas já foram abertas, estão próximas dos centros consumidores, próximas do asfalto, mas, são áreas, a maioria delas, marginais, arenosas, onde chove menos.  Com um processo tecnológico bem ajustado se produz muito nestas áreas e a Fundação MS tem tecnologia para isso.

Revista JCM: Como está, hoje, a aceitação dessa tecnologia, a integração lavoura pecuária, entre agricultores e pecuaristas? Há distinção, ou seja, maior aceitação entre um dos dois segmentos?

Broch: O grande problema, hoje, é que se tem a tecnologia, mas, ela é muito pouco adotada. Aí entra, principalmente, a questão cultural. O pecuarista, na grande maioria, não traz na cultura investir em outra atividade. Principalmente, em lavoura, que, historicamente, quebrou muita gente. Mas, hoje, a realidade é diferente. Outro ponto é que a maioria das áreas é considerada marginal. São áreas fracas e exigem bastante capital, entre 1.000 e 1.500 reais por hectare para correção do solo e, depois, fazer a integração.

Revista JCM: Essa seria a limitação da tecnologia?

Broch: Na questão econômica, hoje, existem linhas de crédito, como o programa ABC, do Ministério da Agricultura. Esse programa apresenta vários incentivos para adoção de técnicas como integração lavoura pecuária florestas. Há uma grande oportunidade para se implantar o sistema na propriedade. O que precisamos é juntar os esforços da pesquisa - a Embrapa, a Fundação e as Universidades-, com as políticas públicas ligadas ao produtor e implementar essas tecnologias em conjunto, apoiando com financiamento a longo prazo e mostrando como a pesquisa tem avançado em tecnologias para produção com menos riscos em áreas marginais.

Revista JCM: Mas o retorno também é outro...

Broch: Existe o retorno financeiro, com certeza. Mas, a cultura do produtor ainda precisa mudar. O produtor que entende que esse é o caminho para a sustentabilidade de sua atividade tem maior chance de sucesso. Por isso que são poucas áreas com integração.

Revista JCM: Os investimentos têm que ser assim, imediatos e totais? Não tem meio termo ou outras formas?

Broch: Uma forma de se inserir no sistema de integração lavoura pecuária é começar aos poucos, não fazer em grandes áreas se o capital não permite. Ao longo dos anos, o produtor vai se capitalizando e adquirindo experiência, conseqüentemente, tendo lucros. Dentro do processo de recuperação de pastagens, nós listamos alguns tipos de recuperação: a reforma através da integração; a reforma de pastagens diretamente. O que temos vistos são reformas de pastagem “meia boca”, onde existe uma pastagem fraca, com plantas daninhas e a correção é feita através de uma subdose de calcário e uma mão de grade. Como resultado, tem-se uma falsa impressão de reforma. O pasto melhora, a semente que estava no solo germina e o pasto vem, mas, não suporta o pastejo porque o solo não foi corrigido. De 6 meses a um ano depois o pasto volta a estar degradado.

Revista JCM: É paliativo?

Broch: Paliativo. Então, não funciona. Não adianta essa reforma “meia boca”. Nós temos uma reforma via pecuária. Para aquele produtor, para aquele pecuarista que não gosta de lavoura. Via pecuária seria a correção do solo através de calcário, gesso agrícola, fósforo, potássio e nitrogênio. Incorporar isso ao solo quando a análise indicar. Quando o solo estiver muito ácido e o terreno estiver bastante sujo, incorporar ao solo, plantar uma forragem com semente de boa qualidade e formar o pasto novamente, Mas, o custo de fazer uma reforma via pecuária sai, no mínimo, 800 a 1.000 reais por hectare. É muito parecido fazer a reforma via integração lavoura pecuária. Na reforma via integração lavoura pecuária cultiva-se de 2 a 3 anos a cultura da soja, com a correção do solo muito parecida, mas com a cultura da soja fixando nitrogênio. Com a produção de grãos, a cada seis meses, é possível pagar esse custo mais rápido. Na mesma fazenda pode-se fazer a reforma de pastagem através de integração lavoura pecuária ou somente via correção do solo, desde que seja bem feito.

Revista JCM: Agora vamos falar um pouco de Showtec, que é uma bela vitrine para o trabalho da Fundação MS. Para onde caminha esse evento?

Broch: O Showtec é o evento de maior difusão de tecnologia da Fundação MS. Hoje, ele é um dos maiores do Mato Grosso do Sul e do Centro-oeste. Agora, o formato dele é bem menor do que um Agrishow, de que um Show Rural. Ele não visa tanto a venda e o faturamento. Ele visa informação, repasse de informações. O Showtec é um evento tecnológico, uma vitrine onde a Fundação MS com seus parceiros repassam as novas tecnologias como integração lavoura pecuária, manejo e fertilidade do solo, cultura da soja, milho, cana-de-açúcar, bioenergia e agricultura familiar. A Embrapa apóia muito com a exposição de suas tecnologias, As empresas parceiras da Fundação MS de diferentes setores, tanto para a pecuária, para a agricultura, para integração lavoura pecuária têm contribuído muito para o crescimento do evento.

Revista JCM: Então a Fundação MS não foca apenas no grande produtor?

Broch: Não.Desenvolvemos e difundimos tecnologias para todos: para o grande, médio e pequeno produtor. Hoje, dentro do nosso ponto de vista, todo produtor, para permanecer na atividade, tem que ter resultado econômico e tem que usar tecnologia. Tanto o grande, quanto o médio ou o pequeno. Se ele não usar a tecnologia, se ele não prestar atenção nos custos e ajustar as tecnologias, ele pode, a médio prazo, sair da atividade.

Revista JCM: E como estão os desafios da tecnologia em relação à questão ambiental, à preservação de recursos?

Broch: O avanço do processo tecnológico é muito rápido. Sabemos da importância da preservação dos recursos naturais e a pesquisa tem contribuído muito para o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a absorção de dióxido de carbono e prevenção de erosões através do incremento de palha no sistema. O próprio plantio direto, a biotecnologia e a integração lavoura pecuária vêm contribuindo muito para isso. Outro ponto importante é que estamos conseguindo aumentar, significativamente, os índices de produtividade. Isso é muito importante para atender a demanda por alimentos e energia sem, necessariamente, abrir novas fronteiras agrícolas.

Revista JCM: Como o setor está lidando com as mudanças climáticas?
Broch: Estamos buscando nos prevenir cada vez mais. Dentro disso, o que está mais fácil e ao nosso alcance é a melhoria de solo. Corrigir melhor o solo, para agüentar mais veranico, e melhorar o plantio direto. Quanto mais palha eu tiver sobre o solo, quanto mais rotação de cultura, eu vou conseguir armazenar mais água no solo, então, diante de um veranico que vier eu consigo ter menores perdas de redução de produtividade se estiver  com um sistema bem planejado.

Revista JCM: Qual o seu papel hoje na Fundação MS? Como o senhor avalia sua trajetória dentro da Fundação?

Broch: Valeu a pena. Eu comecei como pesquisador de fertilidade, aí, fui contribuindo no plantio, na integração lavoura pecuária. Hoje, estamos trabalhando também forte no sistema silvipastoril e agrosilvipastoril. Nos últimos cinco anos, além da parte de fertilidade, que tem mais colegas que me auxiliam, eu estou, também, acumulando a função de diretor executivo da Fundação MS, estou contribuindo com a Fundação dentro dessa nova função. Trabalhar na Fundação MS é uma satisfação muito grande, é um trabalho em ritmo acelerado e contínuo. Tenho consciência dos resultados alcançamos nestes anos e como os produtores rurais adotaram essas tecnologias. Temos uma família na Fundação MS, hoje somos mais de 50 colaboradores, funcionários, que trabalham como se fossem uma família. Todo mundo tem um espírito unido, muito bom, de bastante trabalho e o produtor de Mato Grosso do Sul reconhece todo o trabalho que a gente faz. Então, dá pra dizer, com toda certeza, que valeu a pena vir para o Mato Grosso do Sul, fixar residência aqui, e estar contribuindo com o estado.

Revista JCM: Quais as metas da Fundação MS para os próximos anos?

Broch: Nós queremos continuar sendo uma referencia de tecnologia no Mato Grosso do Sul, junto com os mantenedores, institucionais e produtores, trabalhando em sintonia. Iremos focar cada vez mais o trabalho com o produtor – em variedades de soja, em híbridos de milho, em fertilidade, em integração lavoura pecuária, em consórcio milho safrinha pastagem, ajustando todas essas tecnologia. Nosso grande desafio será contribuir para a melhoria da qualidade da produção pecuária no Estado. Muitas áreas ainda se encontram em algum processo de degradação e isso precisa ser revertido.

Revista JCM: Qual a abrangência das ações da Fundação MS?

Broch: A tecnologia da Fundação MS abrange, diretamente, mais de 900 mil hectares. Indiretamente, mais de um milhão e oitocentos mil hectares, que vão desde a região norte ao sul do Estado. Nessas regiões temos mantido um programa de pesquisa e transferência de tecnologias para produtores e técnicos. Além desse trabalho junto ao produtor e agrônomos da assistência técnica, a Fundação MS mantém um trabalho de validação de tecnologias junto ao produtor, onde as informações da pesquisa são estendidas para áreas maiores e, depois, validadas em escala comercial. Esse projeto de validação de tecnologia abrange uma área de aproximadamente 50 mil hectares. Nessas áreas temos obtidos produtividade muito acima da média obtidas na região.

Revista JCM: Qual a sua mensagem para os produtores que vão ter acesso a essa entrevista?

Broch: Eu gostaria de dizer que eu acredito no Brasil, eu acredito no produtor rural – no pecuarista, no agricultor, no agropecuarista. Eu acho que o Brasil é um dos melhores lugares do mundo pra se viver. É um povo pacífico, é um povo lutador. Então, eu acredito que o Brasil vai sair de um país emergente para ser um país desenvolvido. E isso vai passar pelos caminhos da educação e do uso de desenvolvimento tecnológico. Precisamos estar prontos para mudar. O pecuarista tem feito isso. Hoje, ele sabe da importância de reformar suas pastagens, sabe da integração lavoura pecuária. Hoje, o produtor quer deixar para seu neto uma propriedade mais produtiva, diferentemente daquela que ele herdou, quando não havia tecnologia para isso.



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