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Entrevista com Dr. Roberto Rodrigues

O engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, 66 anos, uma das maiores autoridades em agronegócio no Brasil, é empresário rural e foi o primeiro ministro da Agricultura no governo Lula. Hoje, coordena o Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV) e é a partir do seu escritório lá, nas imediações da avenida Paulista, em São Paulo, que exerce suas inúmeras atividades no setor: organiza as aulas ministradas no Departamento de Economia Rural da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, faz reuniões com assessores e prepara seus relatórios como conselheiro de seis empresas e como membro de cerca de 30 organizações, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Comissão Interamericana do Etanol, da qual é co-presidente.

Foi ali também que num fim de tarde de julho ele recebeu a nossa repórter para a seguinte entrevista, salpicando a conversa com frases em francês, dos tempos em que viveu por quatro anos em Genebra, na Suíça, como presidente da Aliança Cooperativa Internacional.

Revista JCM   Qual a importância do Centro de Agronegócios da FGV?

Rodrigues O Centro já existia nominalmente, mas não funcionava. O objetivo da criação do Centro foi de aglutinar os esforços em torno do agronegócio que eram dispersos por várias unidades de gestão. Então, o Centro foi estruturado em quatro áreas específicas: a área de curso, que é o objetivo central da FGV; uma área de pesquisa; uma área de projetos e uma área de comunicação que é a que cuida da revista Agroanalysis. 

Quando eu vim para cá, vim muito fortemente imbuído da temática do biocombustível como uma questão essencial do planeta. Considero que este tema muda o paradigma agrícola mundial e pode determinar uma mudança significativa da geopolítica mundial em favor dos países mais pobres tropicais. Por causa disso nós trabalhamos praticamente estas quatro áreas muito fortemente nesta temática. E a primeira coisa que fizemos foi a montagem de um mestrado stricto sensu  em agroenergia que é o primeiro do mundo. Ele tem um diferencial porque conseguimos realmente uma coisa interessante: fizemos uma articulação entre a FGV, a  Luiz de Queiroz e a Embrapa. Então, a FGV entrou  com todo o know how  em gestão; a escola de Piracicaba, com a área tecnológica e a EMBRAPA, com a área científica. Fizemos um curso que tem sido considerado um dos melhores cursos de mestrado da FGV. É a primeira turma. Começou este ano. E foi aprovado lá em Brasília no Ministério da Educação de uma forma bastante ágil, em apesnas 6 meses. Simultaneamente montamos vários MBA em agronegócios e demos para alguns deles uma especialização muito maior.  Na área de cursos esta é uma importantíssima conquista da FGV em termos de mercado

Na área de projetos, eu tenho trabalhado com este negócio de agroenergia há mais de 35 anos, desde os primórdios do Proálcool. Quando houve o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, um dos itens do memorando de entendimentos assinado entre os dois países era para desenvolver o etanol na América Central e no Caribe. A partir daí, a FGV se candidatou como uma das consultoras potenciais do concurso mundial realizado pela OEA e pelo BID para realizar o estudo. Nós ganhamos.  A FGV Projetos, com nossa assessoria, está fazendo já os projetos na República Dominicana, em El Salvador e no Haiti. E mais países estão demandando mais projetos cujo objetivo não é vender a tecnologia apenas, mas vender equipamentos, indústria, gente. Por isso que o mercado vai precisar de mais gente, recursos humanos, pessoal capacitado para um projeto que, como eu já disse, muda o paradigma agrícola mundial e muda a geopolítica mundial. C´est pas  la pure verité, peut-être c´est ne pas même la verité, mais c´est comme je vois les choses.

Ainda na área de projetos, você sabe que o governador Serra criou já uma comissão em São Paulo para estabelecer os padrões de comportamento do setor de agroenergia de São Paulo, o crescimento da cana de açúcar para ver como a coisa vai evoluir no estado, questões ambientais, de alimento, etc. Então, este grupo de trabalho do qual nós fazemos parte, mas que é coordenado pelo professor Goldemberg (o físico José Goldemberg, ex-Reitor da USP), estabeleceu uma série de projetos cujo conjunto daria a direção a qual seguir. E nós estamos fizemos um outro projeto, que é um projeto mais fundamental, que reconhece que com a mecanização do corte da cana e não mais o corte manual de cana queimada vai haver uma sobra de terra, terra que você não pode utilizar porque tem inclinação muito grande ou tem afloramento de rocha, qualquer razão que inviabilize o uso de mecanização. Estas áreas podem ser reconvertidas para outras atividades como fruticultura e silvicultura – florestas plantadas tendo em vista a produção de madeira.

Paralelamente, estamos atendendo a um conjunto muito grande de demandas que vem de de projetos de várias áreas do agronegócio: seguro rural, agência de desenvolvimento de agronegócio  e demos uma grande alavancagem na Agroanalysis (revista de agronegócio da FGV), na área de comunicação. Ela hoje está inclusive auto-suficiente como revista muito importante na economia rural. E estamos abrindo outras áreas de comunicação, por exemplo, estamos já na fase final de montagem de um acordo de operação com o Canal Rural. Teremos uma participação semanal, ou mais freqüente, sobre política econômica para a agricultura.

Revista JCM – Qual é a sua dedicação aqui? O senhor tem várias atividades...

Rodrigues – Este é o meu escritório. Não é que eu faça daqui só atividade para a FGV. Acabo usando o escritório para outras atividades. Por exemplo, eu escrevo cinco artigos mensais para jornais e revistas obrigatoriamente: dois para Folha de S. Paulo e um para a Agroanalysis. Fora aqueles que não são compulsórios, mas a  gente sempre tem quatro ou cinco que surgem no meio do caminho.

Eu sou conselheiro de seis empresas. De algumas delas eu faço aqui reuniões com meus assessores, enfim aqui é o centro de operações. Tem o Conselho Superior da Fiesp, uma vez por mês tem reunião lá e são reuniões muito mais consultivas do que de caráter deliberativo e  as decisões tomadas em conselho são remetidas à gestão da Fiesp para ver  se transformam ou não  em ações políticas da instituição. Então, aqui é o meu centro de atividades.

Revista JCM – O senhor continua a dar aula na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal? Dá aula lá desde quando?

Rodrigues – Dou aula lá desde 67. Com alguns momentos em que interrompi, como por exemplo quando estive na  Aliança Cooperativa Internacional cuja sede é em Genebra, na Suíça, onde passei praticamente cinco anos viajando pelo mundo. E os quatro anos de governo. Mas, voltei a dar aula, porém estou pensando seriamente em parar porque está ficando difícil.

Dou aula e nos quinze minutos finais dou uma provinha para saber o que a turma assimilou. É uma coisa que acho interessante. Eu acho que esse negócio de avaliação, de nota, tão subjetivo. Se o menino apreendeu aquela aula ele não precisa voltar mais a ser perguntado lá na frente. Aquele negócio está assimilado tal e coisa, então se eu conseguisse que cada aluno tivesse uma boa informação em cada semana sobre cada assunto que é dado não precisaria a prova final. Tem que ter a prova final porque exigido por lei.  

Voilà!

Revista JCM – O senhor está muito animado com este projeto da FGV. E política, nunca mais?

Rodrigues – Nunca fiz política na minha vida.

Revista JCM Mas, ser ministro não é de alguma forma ser político?

Rodrigues A política é uma coisa que faz parte da vida. Agora, política partidária eu nunca fiz e nunca farei. Eu fiz política classista e continuo fazendo na verdade até hoje. E enquanto ministro também o fiz. Estava lá para tentar montar a estrutura de agricultura do futuro do Brasil. Era uma questão de política agrícola. Nunca política partidária. Demorei 66 anos para não fazer, não é agora que vou começar a fazer.

Revista JCM E governo nunca mais?

Rodrigues Não, nunca mais. Não há nenhuma razão para isso. Aliás, é uma lógica de conduta. Todos os lugares por onde passei nesses cargos de comando (presidente da Associação Brasileira de Agribusiness, da Sociedade Rural Brasileira, da Organização das Cooperativas Brasileiras, da   Aliança Cooperativa Internacional) eu nunca mais voltarei. Por uma razão óbvia: se eu fui muito bom provavelmente não conseguirei repetir; se eu fui ruim porque vou tentar tudo de novo? Eu nunca volto para um cargo que já ocupei.

Revista JCM – E o senhor foi muito bom ou ruim no cargo de ministro de agricultura do governo Lula (janeiro de 2003 a junho de 2006)

Rodrigues – Acho que ainda é um pouco prematuro para falar sobre isso. Eu fui para o governo cheio de sonhos, vontades e com um apoio muito grande verbalizado pelo presidente. Eu achei que em seis meses eu seria o maior Ministro da Agricultura da história do Brasil. Eu seria o maior de todos os tempos. Eu sabia exatamente o que era necessário fazer. Tanto do ponto de vista de conjuntura, quanto de estrutura, de reforma a ser feita. Eu tinha muita clareza de todas essas coisas. Ao chegar lá, vi que não era assim. Primeiro porque ainda existe no Brasil muito preconceito contra a agricultura em todos os estamentos do poder. Segundo porque a luta pelos recursos públicos é uma luta feroz. Havia que lutar numa área em que eu não tinha a expectativa de fazer.  E terceiro porque as demandas são díspares. A gente fala em governo como se fosse uma coisa única. Governo é composto por pessoas e pessoas têm ambições, sonhos, vontades, projetos diferentes. Montar um projeto de governo setorial é uma coisa muito mais complexa do que pode parecer para quem está de fora. Então, eu tive dificuldades muito grandes de incrementar o que desejava. Além disso eu enfrentei a maior crise agrícola do Brasil nos últimos 50 anos As pessoas se esquecem disso. Fico impressionado como as pessoas se esquecem rapidamente. Em primeiro lugar, tivemos uma seca nos anos 2004 e 2006 que foram secas sem precedentes na história recente do Brasil. Esta seca foi tão brutal que nós deixamos (enfatiza) de produzir 40 milhões de toneladas de grãos. Imagina! É um número astronômico para um país do tamanho do Brasil. É mais do que um terço do total que se produz hoje. Então, nós tivemos uma perda de produção por causa da seca; os custos explodindo por causa da demanda mundial, os preços despencando por causa de uma oferta brutal de alimentos; tivemos aftosa no Mato Grosso do Sul e depois no Paraná que afetou o comércio mundial de carne; tivemos o problema da gripe aviária que não chegou ao Brasil, mas os reflexos sim; foram 25% a menos de frangos vendidos durante dois anos. Portanto, eu recebi o impacto de uma crise sem precedentes. Os custos subiram, os preços caíram, as produções despencou, o endividamento cresceu, a logística estava sucateada, e mais aftosa e gripe aviária. Era realmente uma crise muito grave que tinha um viés político complicado porque todos os agricultores me conhecem e sabiam que eu estava lá lutando para resolver os problemas. 

Mas, o volume de dinheiro não é um problema do Ministério da Agricultura. É uma questão do ministério da fazenda. Taxa de juros e taxa de câmbio não são tratadas pelo Ministério da Agricultura e sim pelo Banco Central. Da mesma forma, a logística (estrada, ferrovia, porto) é da alçada do Ministério do Transporte; as vendas do comércio exterior são do Itamaraty; a reforma agrária, do Ministério do Desenvolvimento Agrário; a questão ambiental, do Ministério do Meio Ambiente; a ciência e tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia. Ora, a crise era para ser resolvida pelo Ministério da Agricultura quando os instrumentos não estavam na mão do ministério. Havia uma distribuição de responsabilidades em termos de formulações políticas e uma concentração de responsabilidades em termos de solução dos problemas - o que é um negócio desigual. Enfrentei realmente uma crise sem precedentes que consegui equacionar. Eu saí em junho de 2006 só depois que deixei a dívida equacionada cuja terminação foi agora há dois meses atrás com esta grande renegociação da dívida. Mas, foi equacionada naquele tempo. Mal ou bem a crise foi enfrentada de alguma maneira, resolvida, porque nos meus discursos, nos meus trabalhos daquele tempo eu já dizia: nós estamos terminando um ciclo negativo; os preços estão tão baixos que o mundo deixa de produzir; ao deixar de produzir, os preços vão subir de novo e nós daqui a dois anos vamos ser acusados de sermos inflacionários. Voilà! C´est ce qui se passe.

Mesmo com tudo isso eu fiz a reforma estrutural do Ministério da Agricultura cuja última versão era de 71. Evoluiu o país, evoluiu a agricultura enormemente nesses 30 e tantos anos e nós tínhamos o Ministério da Agricultura como um fusquinha andando pela Bandeirantes. Então fizemos um Ministério da Agricultura renovadíssimo, criando uma área de planejamento estratégico que não havia; uma secretaria de relações internacionais; uma secretaria de agroenergia visando ao novo  paradigma mundial, reformando todas as novas defesas sanitárias e criando uma nova estrutura da agricultura, reforçando a posição estadual das superintendências estaduais. Nós fizemos uma reforma na máquina deixando-a pronta para a agricultura que vem vindo aí pela frente em termos digamos burocráticos. A burocracia, a máquina burocrática é uma nova máquina. Adicionalmente, montamos a base do seguro rural: fiz a lei e o regulamento do seguro rural; fiz a lei e o regulamento da biotecnololgia ; fiz a lei e o regulamento dos orgânicos. Veja bem: a lei e o regulamento. Aparentemente são contrapontos um do outro. Isso para dizer o seguinte... Ah, o Roberto foi defensor dos transgênicos. Mas, eu sou presidente honorário de todas as instituições de orgânicos também. Só que ninguém fala. Ninguém se interessa pelas coisas positivas. Só pelas coisas negativas. Reformei a lei da armazenagem; reformei todos os regulamentos da defesa sanitária; enfim, reformei a Conab inteirinha, está com uma estrutura formidável; reformei a Embrapa; estávamos com problema na Embrapa, que foi inteiramente sanado; hoje a Embrapa é um organismo que está aí crescendo espetacularmente, montando escritório na África.

Eu acho que deixei como herança uma estrutura ótima para operar a agricultura. Este processo não é um processo de maturação imediata. Seguro rural, ele vai devagar. A questão tecnológica vai devagar, mas os instrumentos estão dados. Eu acredito que eles serão reconhecidos em 10 anos. Eu tenho a sensação de que fiz o possível e até mais, não obstante tenha a frustração de não ter conseguido fazer nem a metade do que desejava fazer desde o começo.

Revista JCM – Ainda para ficar no assunto Ministério da Agricultura e governo, como o senhor avalia a atual política governamental para o setor?

Rodrigues – O governo fez duas coisas neste ano que eram fundamentais. A primeira foi terminar a renegociação das dívidas que de acordo com as lideranças privadas com as quais converso hoje terá resolvido 80% dos problemas. Obviamente, os outros 20% são muito mais complexos.  A grande negociação (enfatiza) está feita. E o segundo tema é o plano de safra deste ano em que o governo alocou mais recursos mais baratos para o crédito rural – o que era absolutamente essencial para aproveitar este momento raro: de demanda aquecida por um momento ainda e oferta não adequada a esta demanda.

Revista JCM – O senhor considera positivo o valor de R$ 65 bilhões de crédito anunciado?

Rodrigues – Os valores não são suficientes, não são adequados, mas são resultados de um esforço maior. Todos nós sabemos que os recursos do crédito rural vêm basicamente do depósito à vista dos quais 25% compõem o depósito compulsório do Banco Central e daí vem o crédito rural. E como os depósitos agrícolas despencaram com o fim da CPMF, os recursos disponíveis eram menos do que o necessário. Então, o esforço que foi feito é significativo. É suficiente? Não, não é. Mas, a coisa mais importante é que o presidente e o ministro anunciaram quase que a duas vozes de maneira simultânea que a agricultura passa a ser agora um problema do governo e não só do Ministério da Agricultura. O que adianta o Ministério da Agricultura está lá resolvendo os problemas da fiscalização do leite se não tem estrada para tirar o leite? Então, quando o governo assume que a questão agrícola é uma questão de governo eu fico muito mais feliz. Porque esta é a minha luta de 30 anos. Por exemplo: era fundamental que tivéssemos adidos agrícolas em algumas embaixadas selecionadas.  Sempre encontramos uma resistência enorme do Itamaraty. Hoje temos oito adidos agrícolas em oito embaixadas. Coisas pelas quais eu tenho lutado há mais de 20, 30 anos, estão acontecendo agora. Eu acho que, de certa forma, isso tem a ver com a minha passagem pelo governo. Eu plantei essas coisas todas lá e elas demoram a amadurecer mesmo.

Revista JCM – Como bom agricultor...

Rodrigues – Quem não planta, não colhe. Então, não adianta tentar colher o que você não plantou jamais.

Revista JCM – Quais as principais lições que a vivência de 43 anos no setor lhe ensinaram?

Rodrigues – Acho que aqui já cabe te mostrar este livro que publiquei na Agrishow deste ano: “Antes da Tormenta”, um título bastante significativo, tem 120 artigos que eu escrevi durante 35 anos e o último capítulo é o meu discurso de posse no ministério, daí o antes da tormenta. Aí fica muito claro o que é a tormenta. Mas eu vou abrir aqui na página de um artigo que escrevi em fevereiro de 98, portanto há 10 anos. Chama-se “Falsos Negociadores”; um artigo em que eu criticava há 10 anos e pouco o fato de que uma negociação internacional não pode ser uma coisa de diplomacia. É interesse comercial. É interesse de emprego para o país, de renda para o país. É uma coisa de negócio mesmo. Então, eu defendia de que nós precisávamos de visão menos diplomática e mais pragmática das negociações.  

Agora, esta frase que eu escrevi há 10 anos e meio atrás (lê): “Somos muito eficientes para produzir. Apesar das políticas públicas que nos esmagam como a cambial, a monetária, a tributária e apesar da nossa logística precária”.  É idêntico ao que é hoje. Exatamente o que é hoje. Este livro eu lancei sexta-feira, agora (04 de julho). É uma área importante da minha vida. Este livro foi bancado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) da qual eu sou conselheiro e este outro (Cooperativismo, Democracia e Paz) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)  da qual fui presidente Os livros são delas,  não estão à venda. São dados. Agora vai sair outro em agosto, “Depois da Tormenta”.

Mas, o mais marcante que eu aprendi nestes 43 de luta pela agricultura... a minha grande (que palavra eu vou usar adequada aqui?) tristeza eu acho que é forte, frustração é fraca; decepção, talvez. Enfim, a minha tristeza frustrante é que a sociedade brasileira tem uma visão distorcida da agricultura. E eu acho que isso se deve a duas pessoas importantes da nossa história: Pero Vaz de Caminha e Monteiro Lobato. Caminha porque para puxar o saco do rei falou que nesta terra em se plantando tudo dá. Dá nada! O Brasil é um país de terras pobres, fracas, inférteis, sem correção de solo, sem adubações fortes não produz. O Brasil tem 7% de terra fértil; 93% são terras ruins. Mas o imaginário popular ficou com a sensação de que não há maior moleza no mundo do que fazer agricultura. O outro foi Monteiro Lobato que, com a percepção inteligente que ele sempre teve da realidade brasileira, criou a figura do Jeca Tatu, e que hoje é repetido pelo Maurício de Souza com o tal do Chico Bento, que é o agricultor banguela, que fala tudo errado, que tem a camisa rasgada e o sapato que não presta. Ou seja, criou a imagem que existe no Brasil do agricultor como um cidadão de segunda categoria: que é moleza o negócio que ele faz e que, portanto, ele é um atrasado, um analfabeto, um incompetente. Isso não existe mais.

Hoje o agricultor brasileiro é moderno, eficiente. Os números que a gente tem de crescimento das exportações brasileiras são números alucinantes: estamos dobrando as exportações a cada 10 anos, ou mais do que dobrando, dobrando em grãos, dobrando em cana, mas quintuplicando em carnes, madeira 200% mais, e assim por diante. Nós temos um agricultor fantástico. Nós temos a melhor tecnologia tropical do planeta. Disparada. A Embrapa é instada quase que semanalmente a assinar convênios com governos de outros países para resolver tecnologia. Eu penso que a sociedade brasileira urbana mantém uma visão errada do agronegócio brasileiro e perdeu de vista a importância que o setor tem para a economia. Se você for aos Estados Unidos hoje, se você for a qualquer festa importante nas cidades medianas, não estou dizendo Nova Iorque, as cidades com menos de dois milhões de habitantes, sabadão, os meninos vão de calça jeans, cinturão, bota, chapéu porque eles têm orgulho da origem rural deles. Na França e no Japão é a mesma coisa; no Brasil, não. Se lhes perguntam: o que você faz? Sou fazendeiro, meio com vergonha de falar que é fazendeiro. É uma coisa esquisita. Tem um carimbo como se o agricultor, o fazendeiro fosse um cidadão de segunda classe, incompetente, chorão. Esta é a imagem que persiste. Vem lá de trás e permanece porque tem um dado econômico concreto.

Nos anos 50, quando o Brasil era um país rural, optou pelo modelo de urbano-civilização. Lembra aquele famoso modelo substituição de importação? Era um modelo de desenvolvimento da urbano-civilização via substituição de importações. Ora, como isto foi feito? Isto foi feito sangrando o setor capitalizado da economia que era o crédito rural. Então, montou-se um sistema financeiro, um sistema de drenagem de recursos do campo para desenvolver o setor industrial. Nada de novo porque no mundo inteiro foi assim. Nenhum país nasceu industrial. Nasceu agrícola e o setor agrícola financiou a urbano-civilização. O diferente no Brasil foi que quem fez isso foi o Estado. Não foi o setor privado. Nos países do mundo todo, o Estado deu as regras e o setor privado fez. Foi o setor privado que desenvolveu a agricultura americana e daí veio a indústria, a academia, tudo em cima do agricultor capitalizado. Aqui, não. O Estado planejou e executou. Então, quem dava o preço mínimo era o governo, quem estabelecia a legislação? Regulamentação? Era o governo. Quem fazia a armazenagem? Era o governo. Quem dava o dinheiro do crédito rural? Era o governo. Tudo era o governo. Não teve um projeto de desenvolvimento capitalista ou liberal. Era um projeto cartorialista. Você ia buscar suas margens no governo. Então o setor de fertilizantes, ou de máquinas ou de soja ou de sementes ia lá negociar com o governo suas margens, mostrando planilhas, dizendo: “olha não dá para vender mais adubo por este preço; eu preciso aumentar o preço”. Então, você negociava com o governo. Não tinha a idéia de mercado e muito menos de cadeia produtiva – que é um negócio ancestral dos países desenvolvidos. Os diferentes elos da cadeia negociam entre si para que o equilíbrio final se dê via um produto sustentável, em termos de preço, qualidade, como o mercado deseja. Isso não aconteceu no Brasil. As coisas se deram de forma cartorial. Na medida em que este recurso foi drenado do campo para a revolução industrial foi quando o agricultor chorou, reclamou, gritou: “estão pungando minha renda!”. E a sociedade perguntou ao Estado ou ao governo: “e aí, é verdade?” E o governo respondeu: “é verdade mas eu vou resolver isso aí” e deu subsídios ao crédito. Subsídio é o que criou as  políticas públicas lá nos anos 60,70 que eram protecionistas para a agricultura ou para setores da agricultura. Só que o Brasil é um país vastíssimo e esses modelos foram criados a partir de similaridades de países europeus. No que diz respeito aos subsídios, não dá para comparar o Brasil com Portugal, Espanha, França. No Brasil, o que aconteceu foi que o acesso aos “favores” do governo não foi um acesso amplo e irrestrito: dele teve vantagem quem tinha conhecimento, quem tinha capacidade, quem tinha educação, quem tinha mecanismo de comunicação, enfim, acesso. Então, o que aconteceu foi que o governo fez políticas insuficientes que não atenderam toda a massa agrícola que continuou gritando vis-à-vis à oferta parcial de proteção. Ora o governo se defendeu da grita geral mostrando o que ele tinha feito e acusando os agricultores de chorões. E isto foi feito de maneira muito consistente, criando até na cabeça da mídia e da academia brasileira a idéia que o agricultor é chorão, destrói o meio ambiente, mantém trabalho escravo, criança que pega no trabalho, enfim essas coisas todas que hoje estão começando a desaparecer  graças  a uma ação  mais, digamos,  consistente de gente como você que vem aqui, pergunta e vai escrever esse negócio aí, alguém vai ler e dizer, bom, verdade, não é?

As pessoas não se dão conta, por exemplo, de que quando assistem na televisão uma propaganda de cerveja que aquele marketeiro que fez a propaganda só ganhou dinheiro porque tem um cara que planta cevada lá em Garapuava no Paraná com o juro mais caro do mundo, com o imposto mais caro do mundo, com a logística mais cara do mundo, enfim, concorrendo sem subsídio com o setor de cevada da França, do Canadá, dos Estados Unidos  que têm uma enorme vantagem comparativa com os subsídios dados pelos governos. Mas, é este cara que planta cevada lá em Garapuava que compra trator, portanto dá emprego para os operários da fábrica de trator; que compra carreta, arado, grade, nebulizador e dá emprego para os operários de todas as fábricas. Dá emprego para o operário da siderúrgica que faz aço para fazer trator, trem, trilho, moeda, indústria para trabalhar produto agrícola. Este cara que produz cevada dá emprego em fábrica de adubo, de semente, de defensivo, dá emprego para o bancário que faz o crédito rural, o cara que faz o seguro, o planejamento estratégico. Então, ele colhe contra tudo e contra todos e entrega a safra dele numa fábrica de malte e dá emprego para operário em fábrica de malte, de cerveja, de garrafa, de latinha, de rótulo, de tampa, todo mundo tem emprego por causa do cara que faz cevada, senão estava todo mundo ferrado, não tinha emprego para ninguém! É ele que dá emprego em fábrica de caixa para guardar as latinhas e garrafas; em fábrica de caminhão para transportar as caixas de cerveja; de geladeiras para gelar as cervejas, de copos, de mesa de botequim e dá emprego para a costureira que faz o paletó do garçom. E ninguém sabe disso.

Então, a agricultura não é reconhecida. Quando chega a Páscoa fico louco porque tem anúncio de ovo de Páscoa, bombom. Eu por exemplo sou apaixonado por Sonho de Valsa. Me dá água na boca só de falar. Mas, ninguém fala que sem cacau não tem chocolate. Ninguém tem noção.

Outro exemplo: o automóvel tem pneu. Este pneu nasce em loja de pneu? Sem seringueiro não tem pneu. Você está com uma roupa de lã. Pois é, sem ovelha não tem lã. Sem pasto não tem ovelha. Você está escrevendo no quê? Está escrevendo em árvore. Você pensa que papel nasce em resma? Sem árvore não tem papel. Tudo é agricultura. Se você passa rouge é urucum, se você passa perfume é flor. Não tem nada que não venha da agricultura. Você está andando descalça? Não. É sapato do quê? De couro. Pensa que couro nasce na sapataria? Sem boi não tem couro, sem pasto não tem boi. É a agricultura que faz isto tudo. Este dado é um dado conhecido dos países desenvolvidos. Se você vai aos Estados Unidos, por exemplo, em que 2% da população moram no campo, o maior lobby do Congresso é do setor rural. Na Europa são 4,5%. O maior lobby na Europa é da agricultura. Por quê? Porque a população inteira sabe que depende daquilo. Se ele vai comprar uma calça jeans, ele sabe que o jeans é feito de algodão e que o algodão vem do campo. 

Criei a ABAG (Associação Brasileira de Agribusiness) em 93 exatamente para mostrar que agronegócio é cadeia produtiva. Criei a Agrishow em 94. Eu que inventei a Agrishow lá em Ribeirão Preto. Para mostrar que as cadeias produtivas têm que trabalhar juntas. Não tem cabimento o adubo ter um preço que não tem nada que ver com o preço da soja. Tem que ser um casamento. Se não um mata o outro. Ou os dois se matam. Este conceito de cadeias produtivas nós não soubemos desenvolver dentro de casa. E, portanto, não passamos para a opinião pública a imagem da competência do agronegócio brasileiro. Então, está até hoje este negócio aí: o MST invadindo a Aracruz porque o eucalipto não é bom para o Brasil. Que isso? Madeira é uma demanda do mundo. Celulose é uma demanda do mundo. Como é que vai perder madeira?

Revista JCM – O senhor está dizendo que o agronegócio brasileiro é competente...

Rodrigues – O agronegócio brasileiro é enormemente competente. Não obstante, lutar contra um bilhão de dólares de subsídios por dia que os países ricos dão vis-à-vis um subsídio ridículo brasileiro, só a agricultura familiar tem subsídio. Na verdade o crédito rural tem algum tipo de subsídio hoje, mas não é subsídio na acepção da palavra; subsídio é aquilo que é dado a mais do que um custo que supere a inflação; o crédito rural brasileiro é mais caro do que a inflação. Na acepção da palavra o subsídio é assim: o mercado está pagando 20; você precisa de 30 para ficar vivo, o governo dá mais 10. Este é o subsídio na acepção da palavra que o Brasil não tem.

Eu escrevi um artigo agora para Embrapa mostrando que há 30 anos nós pleiteamos as mesmas coisas para o agronegócio brasileiro e não conseguimos porque a visão que a sociedade tem é uma visão marginal da agricultura. E qualquer governo democrático opera muito em conformidade com a maioria da opinião pública. Se a opinião pública tem uma visão negativa da agricultura, você não vai ter políticas positivas da agricultura. Elas vão sempre ser marginais também.

Esta é a minha grande frustração na vida. Daí eu dizer para você agora há pouco que o grande mérito do plano agrícola anunciado não foi o volume de recursos suficiente ou insuficiente ou outra coisa qualquer, mas é a decisão do governo de que a agricultura é uma questão do Estado e do governo.

Revista JCM – Mas, isto pressionado também por uma situação mundial.

Rodrigues –Também. Mas, eu acho que tenho responsabilidade nisso. Eu passei a vida dizendo: “olha, você está pensando que este sapato seu vem de onde, rapaz? está pensando que esta gravata vem do quê?" Estas coisas ficam sendo repetidas, no fim acabam permeando as consciências.

Revista JCM – O senhor é de família de fazendeiros?

Rodrigues –Sou. Meu pai era agrônomo, tinha um irmão agrônomo e uma irmã casada com agrônomo. A minha mãe era filha de um agrônomo e tinha três irmãos, os três eram agrônomos. Eu tenho uma irmã só, casada com agrônomo e tem dois filhos, os dois são agrônomos. Eu tenho quatro filhos. Os dois homens são agrônomos e tenho uma nora agrônoma; tenho uma filha advogada e outra psicóloga. Agronomia e agricultura são muito intensas na nossa vida.  O pai do meu pai era fazendeiro aqui em São Paulo. Quebrou em 29. Perdeu tudo que tinha. Comprou mais uma fazenda. Ficou devendo aquela fazenda. Quando veio a crise de 29 a terra começou a valer 10, 12, 15, 20 % do que valia antes da crise de 29. Terra de café. A dívida da última fazenda que ele tinha comprado ficou igual ao patrimônio que ele tinha. Aí ele entregou tudo para o banco do Brasil e foi morrer como lenhador no sul do Estado. Tão pobre que foi enterrado numa cova rasa. Nunca mais acharam os restos mortais dele. Quando souberam da morte dele, meses depois, foram até lá e não acharam mais nada. Um homem riquíssimo. Não sabia o que era Nova Iorque, bolsa, crack.

E o pai da minha mãe era um agrônomo italiano que fugiu da Europa, imigrou para o Brasil, saiu da Europa na miséria e veio tocar uma fazenda de café em São Paulo cujo dono quebrou em 29 e vendeu suas terras para os colonos italianos. Então, o pai da minha mãe que, era pobre, ficou fazendeiro pela mesma razão que o pai do meu pai que era fazendeiro ficou pobre. O meu pai, que era agrônomo, casou com a minha mãe, virou fazendeiro de novo e eu virei Ministro da Agricultura. Esta é a mobilidade social do Brasil. Então é uma família de agricultores. Meus filhos são agrônomos e agricultores, excelentes agricultores. Minha alegria, meu orgulho, minha sorte.

Revista JCM –  O senhor fala no seu último artigo na Folha de S. Paulo que o produtor de cana está falindo. De fato, a situação é tão ruim ?

Rodrigues – O que eu posso dizer é o seguinte: o custo de produção é maior do que o preço que eu estou recebendo. Então, é um caminho sem volta e é o segundo ano assim. É uma coisa curiosa de que um setor que está explodindo no Brasil... Não obstante eu reconheça que os industriais estão crescendo às custas do endividamento. Está escrito lá: estão se endividando, mas estão crescendo... E o produtor de cana nem empréstimo consegue mais! O banco não vai emprestar para ele. Está quebrado! Não é a primeira vez que isso acontece; eu já vivi isso no passado. Eu sou um bom agricultor, eu sou estrategista, eu sou contratado pelos meus filhos para fazer a estratégia. Desde 2006 eu falei: “vai faltar dinheiro lá na frente, põe o pé no freio, vamos atravessar”. Mas, teve gente que não conseguiu guardar. A situação é grave, muito grave. Vis-à-vis o crescimento da área industrial – o que não é lógico. Uma cadeia produtiva pressupõe que se desenvolva harmoniosamente. É um critério de sustentabilidade. E rompe a cadeia no elo mais fraco – o que é ruim para a cadeia como um todo.

Revista JCM – O senhor acaba de falar sobre a imagem distorcida que a população tem do agronegócio. Bem, nós temos aí  esta imagem reforçada por um ministro que entrou querendo prender boi, multou todas as usinas de cana de Pernambuco. Como o senhor enxerga este quadro?

Rodrigues – Eu vou dizer uma coisa para você: a priori, eu não criticarei este governo sob nenhuma hipótese, ninguém. É uma questão ética. Servi a ele durante quatro anos, não vou criticá-lo agora por maiores que sejam as minhas diferenças e idéias. Então, eu não vou falar mal de ninguém.

Revista JCM – Mas, o senhor pode comentar: ele está certo ou está errado?

Rodrigues – Se eu disser que ele está certo estou criticando, se disser que está errado estou criticando e indo contra a minha própria opinião. Isto é uma coisa que eu te peço em respeito a minha personalidade: eu não quero criticar o governo.

Revista JCM – Vamos tirar o ministro e falar numa questão que interessa à sociedade: a questão do agricultor ou do pecuarista e do meio ambiente.

Rodrigues – Este é um tema essencial. Hoje, você não pode mais pensar na questão da sustentabilidade, no desenvolvimento sustentável da agricultura como se fosse um modismo ou como se fosse vontade de uns poucos ambientalistas. É um dado de realidade. A humanidade hoje está preocupada com isto com ou sem razão. Não importa. Mas, está preocupada com isto e tem que atender a uma demanda global que é forte. Eu, por exemplo, no meu tempo de governo, lutei desesperadamente para montar programas de rastreabilidade de produtos agrícolas. E não é só da carne. Hoje eu montei aqui na GV um grupo tripartite com ambientalistas e consumidores para tentar montar um sistema de verificação de uso do solo na direção da rastreabilidade e da certificação que eu acho que este é um tema irrecorrível do futuro de médio prazo ou até mais curto do que médio prazo. Então, é um tema essencial: não há como fugir dele e nós precisamos olhar isso com bom senso. A palavra aí é equilíbrio. Não adianta querer impedir que se corte qualquer árvore da Amazônia. Afinal de contas vêm vindo aí dois bilhões e cem milhões de pessoas a mais em 30 anos. Você vai precisar alimentar, vestir, fazer móvel para este povo viver, as pessoas vão precisar morar. Então é hipócrita dizer que não pode derrubar árvore nenhuma da Amazônia nos próximos 50 anos. Também a cana:  “vão derrubar a Amazônia, vamos precisar da Amazônia”. É perfeitamente possível... Com bom senso, com equilíbrio, com a legislação que nós temos, que é muito boa, muito forte; basta cumpri-la adequadamente; é possível fazer um plano sustentável no Brasil, mantendo a Amazônia naquilo que é essencial e criando empregos, riqueza e renda nas áreas que não são essenciais. Tudo é uma questão de bom senso.

Mata Atlântica é outro tema. O Pantanal, este sim é um tema delicado, realmente é um sistema muito frágil. Eu sou um defensor do Pantanal quase tanto quanto qualquer ambientalista que tem por aí afora. Na minha fazenda, eu sou um plantador de árvores apaixonado. Eu já plantei na minha fazenda 350 mil árvores nativas. Então, eu acho que este negócio é uma questão que tem ser sistematicamente procurada e buscada via instrumentos legais e com bom senso.

Revista JCM – Mas, hoje predomina o bom senso?

Rodrigues – Cresce. É crescente o bom senso.

Revista JCM – Na cadeia produtiva?

Rodrigues – Indiscutivelmente. Há 100 anos atrás, ninguém falava em meio ambiente, nem em petróleo se não a civilização não teria sido criada em cima de um fóssil finito...

Revista JCM – O americano Paul Roberts, autor dos livros “O Fim do Petróleo” e o “Fim dos Alimentos”, considera que trocar o petróleo por biocombustível é trocar seis por meia dúzia. É substituir uma fonte limitada e finita que é o petróleo por outra igualmente limitada que é a terra arável. O senhor concorda com ele?

Rodrigues – A tese está correta, mas parte de uma premissa falsa. Ninguém quer substituir nada por nada. Não existe esta substituição. Você está partindo de uma premissa errada. Escandalosamente errada. É como Malthus. Se Malthus tivesse razão nós não estaríamos conversando mais, estaríamos mortos de fome numa hora dessas. O que acontece é que muitas destas pessoas que estão tendo visões comerciais da situação olham para o futuro pelo espelho retrovisor, como se não fosse possível o aumento da produtividade. O que está acontecendo no mundo é um espantoso crescimento industrial-agrícola. No Brasil, por exemplo, nos últimos 15 anos, a área plantada de grãos cresceu 27% e a produção cresceu 124%. A produção de frango cresceu 201%. De suínos: 136%. É uma coisa maluca o que o Brasil tem feito nesta área. E nós temos uma produtividade média ridícula. A produtividade média, no Brasil, por exemplo, de milho é em torno de 70 sacas por hectare. Mas, os canteiros de produtividade chegam a 200. Não precisa ter uma média de 200. Mas, uma média de 150, 130 é fácil de ter atingir. Nós podemos dobrar a média de produção no Brasil. O Brasil tem hoje 72 milhões de hectares de terras agricultáveis, dos quais 3,7 com cana para etanol, 5%. Nós temos 200 milhões de hectares de pastagem; pastagem não é de Floresta Amazônica nem de repasto; não, tem lá boi comendo, capim. Nestes 200 milhões de pastagem, hoje se produz o dobro de carne do que se produzia há 10 anos atrás. Há 10 anos atrás o boi ia para o açougue com quatro anos de idade. Hoje vai com 18 meses. Daqui a um ano vai com 15 meses. Tecnologia nova, rações novas, alimentação diferente, formas de manejo, gestão pecuária estão mudando o Brasil. Portanto, nós somos o único continente (não é país, não) do mundo que pode dobrar a área plantada sem derrubar uma árvore da Amazônia. Não estou dizendo que não vá derrubar. Mas sem derrubar, só usando as áreas degradadas nós podemos dobrar a área plantada e aumentar em 50% a produtividade. Nós produzimos – por exemplo – este ano 140 milhões de toneladas de grãos. Se multiplicar (duplicar) dá 280. Mais 50% e chegamos a 340 milhões de toneladas de grãos sem esforço, sem dificuldade. Basta ter o instrumento adequado para isso que são políticas públicas, logística, crédito.

Nós tivemos neste ano no Brasil uma safra recorde de álcool, cana, grãos, carne, leite, portanto, é um falso dilema dizer que vai fazer biocombustível e não vai haver alimento. Ou um ou outro. Não existe isto. Tem espaço para tudo no Brasil e no mundo inteiro. Há uma diferença flagrante entre produzir alimento e agroenergia, que é a palavra certa, não bioenergia. Você não faz um buraco no chão e sai agro. Se não plantar cana não tem agro - agroenergia. A diferença é que alimento se produz até na Sibéria. A energia, não. Diferentemente de alimentos, que você produz em qualquer lugar do mundo, agroenergia vai ser produzida nos países ensolarados localizados entre trópicos de Câncer e Capricórnio. Se você olhar o mapa mundi pega o quê? Toda a América Latina, toda a África e toda a Ásia mais pobre: Tailândia, Indonésia, Filipinas, Malásia, Vietnã, Laos, Camboja. Aliás, a cana-de-açúcar é asiática, tipicamente asiática. Energia que é a questão central do século 21 (você não faz mais nada sem energia) e vai ser produzida pelos países pobres. Isso muda a geopolítica mundial. A demanda por alimentos, de acordo com a FAO, crescerá 42% em 20 anos.  A de combustível líquido 55%. E o petróleo não vai atender a esta demanda. Ou melhor: vai, mas não com preços compatíveis com 3/4 da população do planeta. Então, o biocombustível é uma questão irrecorrível também. Virá. Queiram ou não queiram as Essos da vida. E vai fazer prosperar a América Latina, a África, a Ásia. Isso muda a geopolítica mundial porque o dinheiro atualmente vem de cima, onde o consumo maior de energia existe e a produção será aqui embaixo, produzindo, portanto, emprego, riqueza, muda a geopolítica mundial. Isso é que eu acho. Falta mostrar para as pessoas aí fora e é o que estou fazendo hoje, falando no mundo inteiro e é o que o Presidente Lula está falando hoje no G8, este negócio que eu venho falando para ele há anos: “olha a geopolítica mundial vai mudar, o paradigma agrícola vai mudar com a agroenergia e o Brasil pode liderar este projeto, liderando tecnologia, integrando conhecimento, tudo que tem que fazer para produzir álcool em todo lugar do mundo”. Nós temos que liderar o projeto que muda a civilização, fica muito mais justa a civilização, muito melhor, energia renovável seqüestrando o CO2 que os ricos estão pondo no ar. Nós vamos fazer isso de graça.

Revista JCM – Falamos em justiça. O bom momento do agronegócio, da cana-de-açúcar, da pecuária, não traz junto uma elevação das camadas sociais mais baixas.

Rodrigues – Quem foi que disse isso? Pegue no Estado de São Paulo e veja os municípios com maior renda per capita. São todos municípios canavieiros.  Este e o ano passado não são anos típicos, talvez a situação seja pior que a de outros municípios. Mas se você olhar historicamente é lá que a coisa é mais desenvolvida. É nas áreas canavieira que tem mais desenvolvimento tecnológico, social, inclusive porque a lei exige isso. O Estatuto da Lavoura Canavieira, redigido por Barbosa Lima Sobrinho há quase 70 anos, atrás previa que um percentual do preço da cana, do açúcar e do álcool era obrigatoriamente investido em educação e saúde dos trabalhadores rurais. Todo município canavieiro de São Paulo tem hospital do produtor de cana. Vá em Guariba para ver que coisa maravilhosa.

Revista JCM – O senhor está dizendo que o agronegócio ou a cana de açúcar tem promovido um desenvolvimento do trabalhador rural?

Rodrigues – Claro! Ele é uma atividade concentradora de renda e de terra. O sujeito tem  vontade de comprar o vizinho, sobretudo os usineiros. Mas, eu entendo que o desenvolvimento sócio-econômico da região é altamente positivo.

Revista JCM – Ficando na cana de açúcar. Araçatuba (só para dar um exemplo) já foi terra do boi gordo. Agora, só se vê por lá cana de açúcar. Qual a dimensão real que a cana representa como ameaça para a pecuária?

 Rodrigues – (Suspiro profundo) Eu não acho que seja uma ameaça porque nós estamos crescendo a produção de carne todos os anos no Brasil. A cana está aumentando e a carne também está aumentando. É aquele negócio que eu falei antes: você fazia um boi com quatro anos e agora faz com 18 meses. Então, você cria muito mais carne por hectare do que no passado.  Inclusive, acho que esta tecnologia que a Embrapa desenvolveu recentemente quando eu estava no governo ainda, aliás fui eu  quem impulsionou isso aí, a tecnologia da  integração lavoura pecuária permite exatamente produzir mais carne por hectare, mais cana por hectare, mais grão por hectare, mais floresta por hectare sem que haja necessidade de mais área. A tecnologia é singela: digamos, em outubro você planta capim (uma Brachiaria qualquer, como se fosse uma pastagem); quando ela nasce e fica deste tamanhinho (mostra com o polegar e o indicador) você passa um cheirinho de herbicida nela que ela desmaia; ela não morre; desmaia; e você entra com outras plantações, você planta soja, milho, algodão, arroz, o que você quiser; e aquela cultura anual cresce, adubada, mas, depois de um mês e pouco o desmaio passou, então o capim volta a crescer, só que sombreado pela planta, ele cresce devagarzinho e quando você colhe o grão em março do ano seguinte, o capim está no auge. Você colhe o grão e põe o boi no pasto. Então, você tem um pasto adubado, riquíssimo, com resíduos de alimentos de grãos ainda por cima. Você tem uma engorda de boi fenomenal, você preserva a água, preserva o solo e o boi come aquele troço até ficar tudo rapadinho  Aí você planta de novo. Nova safra...  A integração lavoura-pecuária é um negócio formidável mesmo. E agora estão fazendo a integração agro-silvo-pastoril.

Revista JCM – Isto está muito desenvolvido?

Rodrigues – Não. É uma tecnologia que a Embrapa desenvolveu há três anos. Eu estava lá ainda, mas o plano de safra deste ano prevê já um incentivo a quem fizer este tipo de prática. Isso vai mudar a realidade agrícola brasileira porque você precisa muito menos terra para produzir mais coisa. Em vez de você ter pasto ou agricultura, terá pasto e agricultura na mesma área. Eu fiz isso lá no Maranhão, na minha fazenda lá.  

Revista JCM – Pragas, doenças, transportes, endividamento, barreiras internacionais, ecologistas, sem terras, reforma agrária, políticas governamentais: quais as maiores preocupações do ruralista brasileiro e por quê?

Rodrigues – Eu dividiria os problemas brasileiros na agricultura em três grandes grupos: um ligado a políticas públicas, nos quais entrariam questões do tipo logística, estrutura, recurso para crédito rural, parte do problema da defesa sanitária, negociação internacional, que é um atributo do governo. Um outro grupo que depende também do setor privado: eu penso que aqui entra toda a temática de agregação de valor, de promoção comercial, abertura de mercados, organização de cooperativas para agregar valor, a defesa sanitária que é uma problemática privada fundamentalmente, tecnologia (você não pode esperar que o governo faça tudo; você tem que investir nisto; o empresário tem que bancar parte de seus recursos). E um terceiro grupo ligado à formação da renda rural – que na verdade tudo isso tem a ver com renda rural.  Mas, basicamente são dois temas que entram aí: política de renda, seguro rural (que joga um papel essencial) e instrumentos de comércio que funcionem tanto interna quanto externamente. Um pouco isso é que é a essência dos problemas brasileiros. Naturalmente um conjunto de legislações está superado. Até aí é inevitável. Eu acho que o Brasil está bastante maduro para esta discussão agora. Tem bastante radicalismo? Tem. Mas, é o radicalismo que permite você convergir. Os radicais puxam cada qual de um lado e isto permite a conversão. Acho que estamos maduros para a convergência. Mormente por causa do que já disse reiteradamente que o governo anuncia que a questão agrícola é hoje uma temática de governo atrelado ao ministério de agricultura. Então, eu acho que nós estamos diante de um momento oportuno para montar uma estratégia desse movimento do agronegócio que só ocorreu uma vez durante o regime militar, principalmente quando o Alinson Paulinelli era ministro de agricultura, e trazia esta visão integrada de processos e montou a política de agricultura. Maior Ministro da Agricultura da história do Brasil. Este foi o homem que criou a Embrapa, aliás quem criou foi o Sidney Lima, que era anterior a ele, mas quem instalou foi ele, quem montou mesmo foi ele. Então, nós precisamos ter uma estratégia global até para aproveitar este momento que nós temos aí que é raro. A configuração de fatores que você tem de demanda crescente, oferta inadequada, especulação financeira, questão do biocombustível, questão do meio ambiente, crescimento rural, todos os fatores somados oferecem a um país tropical como o Brasil a chance realmente rara de conquistar o mercado de uma maneira definitiva. Então precisamos ter uma estratégia. Isto é o que mais me impressiona. Nós não temos uma estratégia. Pega a questão do etanol, a vaca líquida...

Hoje é o discurso mais importante do governo. O presidente fala sobre isto a toda hora. Mas, tem 11 ministérios que cuidam do etanol no Brasil. Mais a Petrobras, Embrapa, etc, etc. Sou a favor de um órgão coordenador; de uma coordenação. Eu conheço as pessoas que trabalham com este negócio em Brasília nos ministérios.  São boas, sérias, gente da melhor qualidade, que quer fazer, mas não conversam entre si. Não têm estratégia. Quanto álcool o Brasil quer produzir? Você sabe? Ninguém sabe. Nem o setor privado tem estratégia. Não é só o governo, não. O setor privado tem culpa. Até onde queremos chegar? Vai plantar cana até em jardim de igreja por aí afora e não tem mercado. Quem vai cuidar do sistema de produção? É um sistema democrático como propôs Barbosa Lima Sobrinho em que a cana tem que ser metade de produtor independente e metade da usina ou vai deixar ser concentrada? Quem vai cuidar da estocagem – um produto que é essencial, estrategicamente falando?  Quem vai cuidar da logística do escoamento? A Petrobras? Não quero a Petrobras, quero outro modelo. Quem vai cuidar da questão da alcoolquímica, que é um segundo tema que vem aí? Da tecnologia, dos recursos humanos, da questão ambiental, do approach com os alimentos, quem vai mexer nesta estratégia de zoneamento agroecológico para definir as áreas deste negócio agrícola? Tem um conjunto gigantesco de demandas que estão sendo tratadas isoladamente.

Revista JCM – O presidente Lula que fala tanto sobre o etanol não está atento à  centralização de operações?

Rodrigues – Já propus a ele mais uma vez este negócio por escrito, inclusive. Ele reage muito bem . Depois cai na burocracia, é meio complicado este negócio aí para resolver. Entendo. Mas o Proálcool só foi mais vitorioso quando Camilo Pena, mineiro absolutamente espetacular, ministro da Indústria e Comércio que era um visionário, fez um negócio chamado CENAL - Comissão Executiva Nacional do Álcool que articulava os esforços do governo para trabalhar nesta direção. Foi aí que o Proálcool decolou. O que eu quero para o etanol é uma CENAL. Só que eu acho que os tempos são outros, este assunto tem uma demanda muito mais ampla. Você não está pensando mais só no Brasil. Eu quero pensar na geopolítica mundial, quero pensar no Brasil agrícola no mundo,  não quero pensar naquele escritor que falou aquela bobagem: “cuidado ou enche o tanque ou enche a barriga”.  Vai encher o miolo dele. Fica com estas conversas bobas aí. Malthusiano. Me irrito tanto com estes caras malthusianos. Não são capazes de olhar para frente e de ver  o que a biotecnologia vai fazer na cadeia da agricultura mundial ainda. Nós tínhamos que ter uma estratégia para construir um mercado. Este ano não vai ter mercado.

Eu estou metido até o pescoço neste negócio aqui com o governo americano para produzir bioenergia na América Central e no Caribe, estou trabalhando num grupo Brasil-Japão chamado de Wise Men  - “ os velhinhos”, na realidade, estou desenvolvendo o mesmo projeto dos Estados Unidos com o Japão para financiar a produção de álcool na Ásia e com a Europa na África; para criar este modelo mundial geopolítico novo de  energia renovável que é ambientalmente melhor e contribui para o desenvolvimento global. Enfim, primeiro tem que ter mais países produzindo. Segundo tem que ter leis nos países consumidores que obriguem  a mistura. Se não o petróleo não vai deixar; o petróleo não vai permitir.

Como foi aqui. O álcool só foi para frente quando foi obrigado a misturar 25 % de álcool na gasolina; inventaram o álcool, surgiu o álcool.  Terceiro: tem que desmanchar os mitos todos  que estão aí. Este negócio que vai faltar comida; falso.  Não vai! Vai ter que explicar isto cientificamente, mostrando todos os dados, país por país do mundo onde se produz cana, ou celulose ou qualquer outra matéria prima. Lógico que não é milho: é cana e celulose; lógico que não é trigo, lógico que não é comida. Lógico que não é isto aí. Mas, não precisa disto. Este é que é o tema. E por último é a aquela estratégia global se não você não vai conseguir sair nunca desta coisa: “ah, vai ser bom, não foi?”. Eu vejo estas coisas todas com muito otimismo pela inexorabilidade delas, ao mesmo tempo com ceticismo pela lentidão dos processos de decisão.

Revista JCM – Na comparação entre pecuária e agricultura brasileira, esta última parece ter alcançado um grau de profissionalização bem maior que a primeira. Qual a razão disso?

Rodrigues – Em primeiro lugar a gente não pode falar na agricultura brasileira como se fosse uma coisa monolítica e única, não se fala de um Brasil só, há vários Brasis. A agricultura, a pecuária, o agronegócio são um pouco o reflexo da realidade regional, de cada região do país que tem a ver com cultura, etnia, questões fundiárias, climáticas, tem a ver com uma série de fatores que intercorrem na formatação do agronegócio brasileiro, na agricultura brasileira, então você tem convivendo vizinhos de cerca o sujeito mais moderno do mundo e o mais atrasado do mundo.

Revista JCM – - Mas, estamos falando na média, como padrão...

Rodrigues – Exatamente. Eu acho que a pecuária é um dos setores que mais evoluíram depois do Plano Real no agronegócio brasileiro. Antes do Plano Real um cara com 500 bois era um cara rico. Acabou este negócio hoje. Hoje você tem que ser muito eficiente para ganhar dinheiro com pecuária. Razão pela qual vastas áreas de pastagem estão sendo substituídas por agricultura, de cana, de soja, qualquer outra atividade. Por quê? Porque ou você é bom em pecuária ou você vai ser bom em soja. Não tem mais o produtor amador. Desapareceu o amador na agricultura brasileira.  Hoje o agronegócio brasileiro é um negócio de tecnologia e gestão. Isto é uma coisa que me anima muito, eu ando muito pelo Brasil inteiro, dando palestra, dando aula. Meus alunos da faculdade... Uma coisa interessante quando eu comecei a dar aula na faculdade há 30 anos atrás eu tinha 5% de alunas; hoje eu tenho 55% de alunas nos cursos de ciências agrárias. E estas meninas estão ganhando todos os prêmios na área de gestão. Saem da faculdade e vão cuidar de comércio, de administração. Hoje, a agricultura é gestão financeira. Não é só tecnologia. Você é um bom agrônomo, mas se não sabe comprar e vender na hora certa, quebra. Se fizer um negócio errado, você quebra.  Quando a inflação era 50% ao mês, não tinha este problema porque a inflação comia qualquer erro. Hoje, não. Hoje tem que ser eficiente comercialmente e tributariamente. Tem que saber pagar imposto, tem que ser um bom gestor ambiental, tem que cuidar da máquina de controle, cuidar da sustentabilidade, certificação, etc tem que ser um bom gestor de recursos humanos se não você não vai ter gente boa e sem gente você não faz nada mais, você tem que ter a visão de cadeia produtiva tem que participar de cooperativas, etc, então isto tudo é gestão.

Revista JCM – E tanto agricultor quanto pecuarista têm igualmente, no mesmo nível?

Rodrigues – Têm. Não vou dizer que seja universal. Todos fazem a mesma coisa. Hoje você tem pecuaristas brasileiros moderníssimos em termos mundiais e também tem os exemplares negativos.



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