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Analisar o passado, trabalhar o presente e planejar o futuro.
André Locateli*
Guilherme Alves**
Artigo publicado na Revista JC Maschietto nº 10, junho/2012

O convite para escrever este texto – para a edição comemorativa dos 10 anos da Revista JC Maschietto – levou-nos a refletir sobre o que é possível fazer, ou o que fizemos (leia-se: o que mudou) no setor pecuário durante a última década. Em alguns aspectos, ou em algumas atividades, 10 anos pode parecer uma eternidade, em outras, pode ser um período curto demais para se alcançar os resultados almejados. Mas não cabe aqui filosofarmos sobre a questão... O fato é que, para a pecuária brasileira, a última década foi um período de grande aprendizado e grandes revoluções. Muita coisa mudou, e a atividade pecuária, por opção ou por necessidade, muito evoluiu. Aqui mesmo, nesta publicação, temos um artigo que trata dos aspectos de mercado que são causa ou efeito desta evolução.

Nos tempos atuais, onde constantemente vemos os produtores e os ambientalistas – o meio rural e o urbano – sendo colocados em posições antagônicas, tudo o que se apresenta parece ser subvalorizado ou taxado de paliativo. Mas a bem da verdade o produtor brasileiro deve muito se orgulhar de, segundo o professor Marcos Fava Neves, fazer crescer a produtividade brasileira a um ritmo de quase 4% ao ano, superando heroicamente a ausência de crédito, as dificuldades de ordem trabalhista, tributária, logística, entre outras. Os volumes produzidos aumentaram, a qualidade da produção melhorou e as exportações do setor agro cresceram cerca de 5 vezes nos últimos 10 anos. O agronegócio sustenta o superávit da balança comercial brasileira, e gera recursos que alimentam a população (literalmente) e diversos outros segmentos da economia.

Na atividade agrícola, em especial nas culturas de ciclo curto, é fácil e rápido mensurar os resultados obtidos com o uso de materiais genéticos selecionados e com a aplicação de tecnologia no processo produtivo. Ainda que o desenvolvimento destas tecnologias tenham demandado demoradas pesquisas e experimentos, a partir do início de sua aplicação em escala comercial, muitas vezes, os resultados surgem rapidamente e podem ser vistos a olho nu.

Já na pecuária, isso tende a ser diferente. Com o ciclo de produção longo, a materialização dos ganhos tende a ser mais lenta. Em 10 anos, por exemplo, dificilmente temos mais do que três gerações de animais – muitas vezes temos apenas duas gerações... A carne que consumiremos daqui a três anos será fruto dos acasalamentos que estamos fazendo agora. E a carne que estamos consumindo agora “começou a ser fabricada” há, pelo menos, três ou quatro anos.

Desde 1999, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) promove abates técnicos e avaliações de carcaças, atualmente configuradas sob o formato de um campeonato anual nomeado de ‘Circuito Boi Verde de Julgamentos de Carcaças’, com o objetivo de mensurar as qualidades da raça Nelore como produtora de carne, de acordo com a demanda do mercado. Nestes treze anos de trabalho, já foram avaliadas as carcaças de 78.428 animais, em 128 abates, realizados em 10 estados brasileiros.

A reflexão citada no primeiro parágrafo deste texto nos motivou a analisar parte dos dados coletados ao longo desta trajetória, a fim de aferir, de forma empírica, a evolução da raça Nelore ao longo da última década. Comparando-se as médias de idade, peso de carcaça quente e escore de acabamento de gordura dos animais avaliados no ano de 2002, com os animais avaliados no ano de 2011, percebe-se claramente a tendência da redução da idade de abate dos animais (estimada através da mensuração do número de dentes incisivos permanentes – d.i.p.), a elevação do peso de abate e a melhoria do grau de acabamento de gordura nas carcaças destes animais.

Em relação à idade de abate, enquanto em 2002 cerca de 36,1% dos animais avaliados apresentaram-se com 0 ou 2 dentes incisivos permanentes (idade estimada de menos de 30 meses), em 2011, mais de 60% dos animais avaliados apresentaram-se dentro desta faixa de idade estimada (Tabela 1).

Quanto ao peso, em 2002 apenas 4,8% dos animais avaliados apresentaram-se com mais de 20@, sendo que 20,9% deles pesaram menos do que 16@. Já em 2011, cerca de 22,1% dos animais pesaram mais do que 20@, e somente 14,3% pesaram menos do que 16@ (Tabela 2).

Para a característica de acabamento de gordura, os escores mediano e uniforme foram observados em 29,9% dos animais avaliados em 2002 – em 2011 este percentual subiu para 56,5%. Simultaneamente, o percentual de animais classificados com escore de gordura ausente reduziu-se de 4,5% em 2002  para 0,7% em 2011 (Tabela 3).

Os dados apresentados acima evidenciam os ganhos em precocidade de terminação e rendimento de carcaça obtidos através da seleção da raça Nelore ao longo dos últimos 10 anos. Por tratar-se de uma iniciativa implementada em diferentes regiões do país, em diferentes épocas do ano, com a participação de animais submetidos a diferentes sistemas de criação, e em ecossistemas distintos, é possível dizer que tais índices refletem a realidade da pecuária e do Nelore brasileiro.

Certamente, ainda há muito que se evoluir, mas a aferição destes índices nos deixa confiantes de que a atividade pecuária sustentável já é uma realidade no país, devendo então ser difundida e ampliada. A somatória do componente genético animal superior, com a máxima exploração do potencial de produção forrageira, o conhecimento de nossos técnicos e cientistas, e o profissionalismo e a paixão de nossos produtores, sem dúvida alguma poderão consolidar a posição do país como produtor de carne de qualidade para alimentar o mundo.

O sucesso da próxima década começa agora! Mãos a obra!

*André Locateli é zootecnista formado pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP/Pirassununga, com aperfeiçoamento em Qualidade Assegurada para a Carne Bovina pela FEA/Unicamp, e especialista em Gestão de Agronegócios pela Fundação Getúlio Vargas. Ocupa o cargo de gerente executivo da ACNB desde 2006.
**Guilherme Alves é zootecnista formado pela Pontifícia Universidade Católica - PUC/Goiânia. Ocupa o cargo de gerente de produto da ACNB desde 2007, coordenando o Programa de Qualidade Nelore Natural e o Circuito Boi Verde de Julgamentos de Carcaças.

Tabela 1

Fonte: ACNB

Tabela 2

Fonte: ACNB

Tabela 3

Fonte: ACNB



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