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O “PAC” do Campo

Felipe Picciani  (*)

Artigo publicado na Revista JC Maschietto no 08, setembro/2010

Segundo nota publicada no mês de maio pela Agência Estado, após obter sucesso em elevar a produtividade das lavouras de grãos, os produtores do Centro-Oeste têm agora o desafio de fazer o mesmo com a pecuária. A melhora da eficiência entre os criadores poderia ampliar a área da produção de grãos na região, especialmente soja. A nota reforçava o fato de que Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás são donos do maior rebanho bovino do País, com cerca de 70 milhões de cabeças, ou 34% do total, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na oportunidade, o ex-ministro de Agricultura Reinhold Stephanes calculava que, em todo o País, 20% do território são dedicados à pecuária e 10% às lavouras. Ele acredita que o aumento da produtividade pecuária poderia liberar entre 50 milhões e 70 milhões de hectares nos próximos 10 a 15 anos para os grãos e a cana.

É conhecido por todos que o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com mais de 200 milhões de cabeças presentes em grande parte dos municípios do Brasil. E é fato que temos um dos únicos rebanhos em expansão entre os grandes produtores/exportadores mundiais. Somos o maior exportador de carne bovina do mundo, comercializando US$ 4,4 bilhões por ano ou 2,2 milhões de toneladas equivalente-carcaça, com uma produção que se expande a 5,5% ao ano e exportações que crescem à taxa de 9% ao ano, num contexto de comércio mundial de carne bovina que evolui anualmente apenas 3%. Fora o fato de que o Brasil também é um grande exportador de produtos de couro bovino, com vendas que superam US$ 1 bilhão por ano de couro e US$ 1 bilhão de calçados. O mercado interno para consumo de carne também cresce aproximadamente 2,5% ao ano.

Observa-se que a expansão do nosso rebanho não está mais relacionada à expansão da área de pastagens, fruto não apenas da pressão por sustentabilidade, mas ainda pelo elevado custo da terra e necessidade de intensificação que permitisse a redução do espaço produtivo para a abertura de novas áreas úteis à expansão da agricultura. O surgimento e a introdução de novas tecnologias de produção e melhoria genética nos rebanhos pecuários permitiram este aumento de produtividade. Muitos pecuaristas buscaram a otimização de renda x produção também com integrações agricultura-pecuária, melhorando a reposição da fertilidade do solo e consequente economia na recuperação de pastagens e elevação nas taxas de lotação (animais/área).

Ocorre que todas essas inovações e implicações de mudanças feitas no sistema produtivo geram e continuarão a gerar demandas por investimento no setor. A questão é que, em algum momento, o Brasil precisará adotar políticas públicas mais eficazes promovendo subsídios ou idealizando um PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) específico para o campo. O próprio incentivo às adequações ambientais induzirá a um aumento de produtividade da pecuária de corte. E, mais uma vez, a pecuária terá que responder com a adoção de novas tecnologias – que não são baratas – e outros sistemas produtivos, gerenciais ou zootécnicos, no médio prazo. E nesse momento, a oferta de crédito e o nível das taxas de juros certamente vão afetar a decisão dos pecuaristas.

O Brasil tornou-se o maior produtor de carne do planeta e a nossa pecuária virou um importante player do agronegócio, representando uma parcela significativa do PIB nacional e do saldo positivo da balança comercial. Podemos dizer que a raça Nelore contribuiu em muito para isso. Existe uma grande procura por reprodutores e matrizes geneticamente avaliados. O Nelore do século 21 é reconhecido por sua produtividade e pela qualidade da sua carne. Isso é fruto do investimento em seleção e melhoramento genético feito pelos criadores ao longo das últimas décadas. Alta tecnologia é atualmente aplicada na atividade, seja no âmbito reprodutivo, genético, nutricional, entre outros. Aceitamos o desafio de promover a capilarização da genética Nelore selecionada nos rebanhos comerciais – demonstrando na prática, e com números, os benefícios e vantagens do investimento no melhoramento genético dos rebanhos. Estratégia que pode estar aliada a uma política governamental de apoio à produção visando a utilização de animais superiores nos rebanhos comerciais. Trabalhando simultaneamente os conceitos da produção pecuária sustentável, reforçamos a posição da raça Nelore como fornecedora de um alimento rico, saudável e sustentável.

A Nelore do Brasil há tempos vem alertando as autoridades brasileiras a respeito de um potencial gargalo entre aumentos consecutivos de produtividade, crescimento de consumo interno e externo e a urgência de políticas públicas capazes de sustentar este modelo de negócio. É fundamental observar o setor como um grande parceiro do País e como contrapartida atendê-lo em seus limites e dificuldades.

(*) Presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) – www.nelore.org.br



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