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Via sustentável para a pecuária do Brasil

José Raul Valério
Embrapa Gado de Corte

Artigo publicado na Revista JC Maschietto no 08, setembro/2010

Por conta das suas características de solo e clima, o desenvolvimento da pecuária como atividade econômica no Brasil é quase que natural, o que permite ao país produzir proteína animal de forma barata. No entanto, ter como foco a sustentabilidade na produção é fundamental para que a pecuária possa ser uma constante fonte de alimentos sem depreciar o patrimônio ambiental do país.

Conforme dados da Organização de Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), para atender ao aumento da população e ao crescimento da demanda per capita nos países em desenvolvimento, a produção de alimentos deverá dobrar nas próximas décadas. Essa pressão será sentida especialmente com relação a produtos como carne e leite. No entanto, para que isso ocorra de forma sustentável, 80% da expansão terão de vir das áreas já exploradas atualmente e apenas 20% poderá decorrer da incorporação de novas áreas de produção.

A saída para tal dilema é evidentemente o aumento de produtividade. Afinal a história da agricultura mundial comprova tal afirmação, pois em 1950 um hectare de terra produzia alimento para menos de duas pessoas. Já em 2000, o mesmo hectare produzia alimento para mais de quatro pessoas. Em 2050, a previsão é de que um hectare terá de produzir alimentos para mais de sete pessoas.

Para os especialistas em produção de alimentos, os resultados obtidos evidenciam a incorporação de maior tecnologia no sistema de produção e nesse sentido, com o aumento da produtividade dos animais e das pastagens, a bovinocultura reduzirá a demanda por área de produção, reduzindo então a pressão sobre o desmatamento, podendo inclusive permitir a migração de áreas de pastagens para a agricultura, aumentando a oferta de alimentos de forma indireta.

Atualmente, segundo dados da Embrapa, a produtividade animal é de aproximadamente 50 kg de equivalente carcaça por ano. O potencial biológico por meio da tecnologia disponível é de 100 kg. No entanto, ao analisar os sistemas intensivos com recria a pasto, período que vai da desmama ao início da engorda, a produtividade já é de 62-65 kg.

Em relação à produção por área, o Brasil tem uma média de 75 kg por hectare ao ano e a pesquisa nacional já mostrou um potencial de mais de 300 kg. Estes números demonstram que está na produção por área o maior potencial de crescimento em produtividade para a pecuária brasileira.

Por outro lado, além da constatação de áreas subutilizadas e da necessidade de investimento em novas técnicas, a opinião da maioria dos extensionistas da Associação dos Profissionais de Pecuária Sustentável (APPS) é que ainda há falta de consciência por parte dos produtores rurais do sinergismo que existe entre produtividade e sustentabilidade. A culpa desta aparente falta de consciência está na forma como a sociedade debate atualmente esta questão. Há muito alarmismo e poucos são os cientistas da área que são ouvidos pela mídia, pois desenvolvimento sustentável é muito mais do que simplesmente preservar a natureza.

Exemplos claros de alarmismo estão nos números sobre a emissão de equivalentes em gás carbônico da agropecuária brasileira que são divulgados por organizações não governamentais (ONG’s), que desconsideram a fixação de carbono que ocorre na produção agrícola, apresentando somente o valor total e não o líquido das emissões de GEE.

A definição da ONU para desenvolvimento sustentável está baseada em quatro pilares: equidade social, eficiência econômica, preservação ambiental e educação. Portanto, para que um empreendimento rural seja sustentável ele também deve ser rentável. É justamente por isso que o produtor rural não precisa ter receio de ser sustentável, pois a maioria das tecnologias disponíveis para aumentar a rentabilidade de seu negócio são as mesmas que darão sustentabilidade para a sua produção.

Do ponto de vista estratégico para o Brasil, a importância da produção com foco em produtividade não está só na possibilidade de redução de desmatamento e liberação de mais áreas para a produção de grãos e outros alimentos, mas também é a principal opção tecnológica para mitigação da emissão dos gases de efeito estufa (GEE). Ao reduzir o tempo gasto com a recria e engorda dos animais (diminuindo a idade ao abate), a produção total de gás metano (CH4) é reduzida de forma drástica, ou seja, é possível diminuir a emissão de CH4 por kg de carne produzida.

As tecnologias para a produção sustentável da pecuária não só podem reduzir a emissão de GEE da pecuária como podem fixar carbono, pois são as gramíneas as plantas mais eficientes na realização da fotossíntese. Pastagens bem formadas e bem manejadas podem fixar mais carbono no solo, melhorando o balanço de carbono da agropecuária nacional.

Estudos para mitigação de GEE devem avaliar custos. Afinal, sistemas mais intensivos são bons para a produtividade e para o meio ambiente, mas exigem investimento. O equilíbrio entre a emissão de carbono pelo bovino e a fixação pelas forrageiras nos sistemas de produção a pasto, em sua esmagadora maioria em áreas tropicais, ainda não foi totalmente desvendado, por isso o país precisa investir mais neste tipo de pesquisa.

O Brasil pode sim ser uma constante fonte segura de produtos alimentares e, para isso, precisa desvendar melhor o balanço de carbono de sua pecuária e ter condições facilitadas para que seus produtores possam adotar as inúmeras tecnologias já disponíveis que visem o aumento de produtividade, como forma de garantir a sustentabilidade da produção.

(*)  Sócio da Boviplan Consultoria e Presidente da Associação dos Profissionais de Pecuária Sustentável (APPS) – rodrigo@boviplan.com.br

 



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