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A pluviosidade do ano agrícola de 2005/2006 no estado de São Paulo foi atípica e refletiu negativamente na produtividade das pastagens. O déficit hídrico variou de acordo com as diferentes regiões do estado. Em São José do Rio Preto-SP, por exemplo, o balanço hídrico (Figura 1) mostra que ocorreu déficit em Outubro, Novembro e Abril do ano 05/06, enquanto o balanço com a média histórica desta cidade indica que o déficit é praticamente nulo na estação das águas (Outubro a Abril).

Com base em dados de temperatura e precipitação mensais são calculados os balanços hídricos - uma maneira de se estimar a quantidade de água do solo. A área em azul representa o excedente, ou seja, a quantidade de água que o solo não é capaz de armazenar e é perdida por drenagem em profundidade. A área em vermelho é o déficit hídrico: o saldo negativo resultante da quantidade de água do solo somada à quantidade adicionada pelas chuvas menos a retirada de água do solo por evapotranspiração. Quando o balanço é igual a 0 mm, a quantidade de água presente no solo é suficiente para atender à necessidade da planta, não há déficit nem excedente.
Figura 1. Balanço hídrico durante a estação de crescimento em São José do Rio Preto-SP. Como conseqüência desse déficit, houve redução na produtividade da pastagem. Para melhor entender: quando não há limitação de produtividade por falta de água, a cultura tem um "consumo de água" potencial, chamado de evapotranspiração potencial. No entanto, quando ocorre déficit hídrico, a evapotranspiração real é menor do que a potencial.

Quando a evapotranspiração real é 20% menor do que a potencial, estima-se que ocorra também uma redução de pelo menos 20% na produtividade de uma gramínea (Doorenbos e Pruitt, 1977). Para as simulações a seguir, considerou-se uma relação linear.

A Figura 2 (2005/2006) mostra que, na cidade de São José do Rio Preto, houve decréscimo de 42 e 46% na produtividade nos meses de outubro e novembro e, novamente, houve redução de 40% no mês de abril. No entanto, considerando a média histórica, que não mostra déficit hídrico a partir de outubro até abril, esperava-se produção plena das pastagens nestes meses.


Figura 2. Produtividade relativa das pastagens na estação de crescimento em função da disponibilidade de água São José do Rio Preto-SP. (Produtividade potencial = 100%).

Em Araçatuba também ocorreu déficit hídrico no ano de 2005/2006, e a produtividade da forragem conseqüentemente foi afetada (Figura 3). Nessa cidade, os meses de novembro, março e abril apresentaram reduções de produtividade 87, 19 e 73% respectivamente em relação à produtividade potencial. Considerando a média histórica desse período, a expectativa era de produtividade plena.


Figura 3. Produtividade relativa das pastagens na estação de crescimento em função da disponibilidade de água em Araçatuba-SP. (Produtividade potencial = 100%).

Esses decréscimos são importantes porque reduções no final do período das águas (abril) interferem no volume de forragem produzido para uso durante o período seco (pastejo diferido ou pastagem vedada). Esse fato limita a manutenção do rebanho em condições corporais satisfatórias. Em outras palavras, o boi gordo passa a perder peso e as matrizes perdem condição corporal para a parição que se inicia no segundo semestre, ou seja, dentro de 3 a 6 meses. Essa condição corporal prejudicada pela restrição de forragem em conseqüência da seca a partir de abril deve reduzir a taxa de concepção e prolongar o intervalo entre partos. Em resumo, esse fenômeno deve contribuir para menor produção de bezerros na próxima safra se não houver interferência do produtor no manejo da pastagem e do animal durante o período seco e início do período das águas de 2006/07.
O principal problema, no entanto, é a escassez de chuvas no início da estação de crescimento, como ocorreu em São José do Rio Preto em outubro e novembro de 2005 (Figura 2) e em Araçatuba em novembro de 2005 (Figura 3). Nessa época, a falta de água no solo causa prejuízos mais severos do que os observados pela escassez de chuvas no final da estação de crescimento (abril - maio). O maior prejuízo da falta de chuva no início do ano agrícola (outubro - novembro) se deve ao fato de que nesta época os fatores climáticos que determinam o crescimento (temperatura e fotoperíodo) estão em disponibilidade ascendente. Essa abundância de temperatura e luz provoca respostas rápidas no crescimento como aponta a Figura 4. Deve-se lembrar que, no período das águas, acumula-se de 80 a 90% da produção. Constata-se que o atraso no início da rebrota contribui para redução significativa na produtividade da pastagem.
O pior efeito da falta de chuva no início do período de rebrota (outubro/novembro) é a severa intensidade de pastejo que é exercida sobre as plantas, provocada pela menor disponibilidade de forragem, ou seja, o animal consome a mesma planta mais freqüentemente reduzindo a sua altura, disponibilidade de matéria seca e consequentemente reduz o tamanho de bocado. Como conseqüência, a velocidade de recuperação da planta pós-pastejo e o ganho de peso dos animais são prejudicados.


Figura 4. Curva de estacionalidade na produtividade da pastagem (média de diversos trabalhos).

Em outras regiões, porém, o déficit hídrico não foi severo a ponto de causar redução na produtividade. Os casos de Piracicaba-SP e Mococa-SP, por exemplo, são mostrados na Figura 5 e indicam que a restrição de crescimento devido à falta de água no verão de 05/06 foi muito menos severa do que nas outras regiões. No entanto, o fato de a produtividade real ter sido 88% da potencial no mês de abril em Piracicaba e 86% da potencial no mês de outubro em Mococa, constitui uma diferença em relação à média histórica destas duas cidades, nas quais praticamente não ocorre limitação na produtividade por déficit hídrico.


Figura 5. Produtividade relativa de forragem na estação de crescimento em função da disponibilidade de água em Piracicaba e Mococa. (Produtividade potencial = 100%).

A falta de água no período de crescimento em regiões produtoras importantes do estado de São Paulo trará conseqüências negativas para o desempenho reprodutivo dos rebanhos caso não sejam tomadas medidas de manejo dos animais e das pastagens para amenizar tal quadro. Também na engorda destas regiões, os animais serão abatidos mais cedo ou confinados mais cedo do que nos outros anos.
A possibilidade de alteração futura de preços do bezerro e do boi gordo como conseqüência deste fenômeno é remota porque a maior parte do abastecimento dos frigoríficos do estado de São Paulo é feita pelo estado de Mato Grosso do Sul, sul do estado de Goiás e Triângulo Mineiro. Segundo a Scot Consultoria (comunicação pessoal), cerca de 70 % do abate dos frigoríficos do estado São Paulo é de gado do Mato Grosso do Sul. Consulta ao site de serviços meteorológicos da EMBRAPA4 indica que a disponibilidade de água no solo de importantes regiões fornecedoras do Mato Grosso do Sul como Três Lagoas e Ivinhema, no ano agrícola 2005/2006, não se diferenciou muito da média histórica.
Conclui-se que a situação crítica das pastagens do estado de São Paulo é uma condição pontual e que a restrição hídrica não deve causar alteração de preços, caso MS e Goiás continuem a suprir a maior parcela de animais para o abate nos frigoríficos paulistas.

Citação

DOORENBOS, J.; PRUITT, W. O. CROP WATER REQUIREMENTS. FAO Irrigation and Drainage Paper, NO 24 FAO, ROME, ITALY, 1977. 179 p. 1Professor Titular do Depto. de Zootecnia. ESALQ-USP. moa@esalq.usp.br
2Aluno de Mestrado em Ciência Animal e Pastagens. Depto. de Zootecnia. ESALQ-USP. goulart@esalq.usp.br
3Professor Associado do Depto. de Ciências Exatas. ESALQ-USP. Pesquisador do CNPQ. navnova@esalq.usp.br
4http://www.agritempo.gov.br/agroclima/sumario?uf=MS


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