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Febre Aftosa e o que o Brasil não viu!

Gilmar Curioni1

A febre aftosa é uma doença infecto-contagiosa causada por vírus, aguda e altamente transmissível. Enfermidade própria de animais de cascos partidos em dois (biungulados). Um problema que ultrapassa as barreiras geográficas e de muito difícil erradicação devido a muitos fatores, com destaque ao econômico.
Sua transmissão ocorre de maneira rápida pelo ar, contaminando todo ambiente encontrado, ou também por veículos como alimentos in natura e o próprio homem, que em suas botas, sapatos, roupas e utensílios transporta o vírus para fazendas, cidades e até países.
O Mato Grosso do Sul - MS, que ocupava o status sanitário de "área livre da febre com vacinação", teve um novo foco da doença surgido na cidade de Eldorado em outubro de 2005.
Não foi surpresa para o sul-mato-grossense esse fato porque sinais do problema rondavam o estado, principalmente nas regiões que fazem fronteira com o Paraguai. É comum entre pecuaristas brasileiros com propriedades no país vizinho falar sobre o assunto e contar casos a respeito da doença naquela localidade.
Enfim, o aparecimento ou não da epidemia era questão de sorte ou de dever de casa cumprido. Como não foi cumprido, o que já era temido aconteceu. E aconteceu com todas as suas conseqüências de ordem social, ecológica e econômica. O MS tem um rebanho de aproximadamente 23 milhões de cabeça, sendo que 20,4 milhões estão no planalto e 2,6 milhões no Pantanal. Um estado com 77 municípios e um baixo índice populacional, de apenas 2,1 milhões de pessoas.
O foco da aftosa que apareceu em Eldorado foi o primeiro, seguido de outros 32 focos, sendo que desses, 22 foram no município de Japorã e os outros no mesmo Eldorado e Mundo Novo.
Informações extra-oficiais mostram que, de acordo com um rastreamento epidemiológico, o fato de a divulgação do primeiro foco ter ocorrido no município de Eldorado pode ter sido acidental, pois deduzem que já existiam outros focos em locais de pouco acesso e pouca disposição para a informação na região.
Há de se questionar se a região de fronteira seria o local ideal para tantos assentamentos! Locais sem estrutura, de difícil acesso e fraco poder econômico. Além da presença de aldeias indígenas, lutando por expansão, nesses locais estratégicos do ponto de vista epidemiológico, colocando em risco todo um país no respeito a tão importante e limitante fator que é o sanitário, prejudicando o intercâmbio entre nações e, do meu ponto de vista, chegando a prejudicar mais que as barreiras tarifárias impostas.
As conseqüências econômicas foram enormes para o Brasil e todos puderam sentir no bolso com os embargos nas exportações. Para o MS, além dessas, o impacto atinge as mais diversas cadeias econômicas, que vão desde as demissões diretas, a diminuição na geração de novos empregos, menos prestação de serviços como fretes e consertos de pneus, por exemplo, até a redução dos investimentos nas fazendas e no comércio, queda na venda de insumos e um atraso no avanço tecnológico, além da queda no preço da arroba.
As medidas tomadas, que deveriam ser de ordem "primária" ou preventiva (com a eliminação ou redução das causas da doença antes do aparecimento de sinais), passaram a ocorrer de forma "secundária", ou quando a doença já ocorreu. Dessa forma, implicou-se na identificação precoce dos primeiros sinais clínicos, um tratamento rápido e eficiente, eliminação de animais contaminados, implantação de animais sentinelas e intensificação da vigilância sanitária.
O futuro do setor da carne (bovina, suína e aves) no Brasil vai depender de alguns fatores e, dentre eles, a nossa questão sanitária é de fundamental importância.
Estamos recebendo a missão Européia, que pode aprovar ou não nossa carne e que, dentre outros fatores, examinarão nossas ações de vigilância sanitária, o compromisso dos envolvidos na defesa sanitária, o serviço de inspeção e a estrutura física dos órgãos de defesa, a rastreabilidade e até a legislação pertinente.
Outro fator para o setor diz respeito ao cumprimento de nosso dever de casa, ou seja, a prevenção será sempre nosso melhor remédio. Mas para prevenir precisamos de:
- Vigilância intensificada: que é incompatível com os salários que hoje recebem nossos técnicos, com os horários de trabalho dos órgãos competentes no estado (que hoje é de apenas meio período) com os veículos dos técnicos (que são inadequados), com a disponibilidade de combustível (que às vezes falta), com o livre acesso a reservas indígenas (nem sempre possíveis) e com os assentamentos em locais inadequados.
- Educação sanitária: conscientizar os produtores e toda a sociedade de que a vacinação é o meio mais eficaz e essencial para o controle e erradicação da doença e que essa vacinação deve ser feita de forma correta. Lembrando que apenas um animal, mesmo que uma inofensiva "vaquinha leiteira" da periferia da cidade, uma vez contaminada, já se torna um foco com todas as suas conseqüências.
Por fim, creio ser importante citar que estados como o Mato Grosso do Sul pedem urgência por uma reforma tributária que venha a diminuir as injustiças que acontecem com produtos primários como a carne - onde o estado é obrigado a baixar as alíquotas tributárias para serem competitivos a ponto de comprometerem sua arrecadação e comprometerem a exportação brasileira da carne e de outros produtos agrícolas.
Se toda a "cadeia produtiva" fizer sua parte seremos novamente livres da febre aftosa com vacinação. Nota divulgada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento diz ser bem provável para toda a América do Sul e América Central atingirem essa meta até 2009.
No que depender do Brasil e do MS, temos ainda um grande caminho a percorrer - e só chegaremos lá se caminharmos de mãos dadas, cada um fazendo sua parte: sociedade, agro-pecuarista, governo estadual, federal e instituições.

1Gilmar Curioni
Eng. Agrônomo
Diretor Administrativo da ViaCampus (www.viacampus.com.br)


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