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Sementes JC MASCHIETTO

Artigo publicado na Revista JC Maschietto ano 03, no 03, set/2005

Formação de Pastagens
Prof. Dr. Moacyr Corsi

Professor Titular do Departamento de Zootecnia da ESALQ/USP

Quando estava me formando pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" fui convidado pelo Prof. Aristeu Mendes Peixoto para integrar o corpo docente do Departamento de Zootecnia. A proposta era irrecusável, uma vez que deveria iniciar a carreira acadêmica fazendo o Mestrado (Master of Science - MS) nos Estados Unidos. Deveria pesquisar e estudar forragicultura. Meus colegas e familiares não conseguiram entender o porquê de estudar "pastagens, quando qualquer pessoa sabia plantá-las e explorá-las muito bem" - como diziam.

À medida que estudava achava o assunto mais interessante, desafiador, complexo pelas relações entre o solo, o animal e a planta. Estava cada vez mais convencido que a exploração racional das pastagens demandava conhecimentos, atenção a detalhes, dedicação ao sistema de produção e tomadas de decisões enérgicas. Não era diferente de qualquer negócio onde o objetivo é o sucesso.

Escolher a semente da planta forrageira parece simples, mas esconde detalhes que podem representar a diferença entre sucesso e fracasso.

Certamente o leitor já deparou com pastagens estabelecidas com plantas do gênero Panicum (colonião, tanzânia, mombaça, tobiatã, massai, etc) onde não houve cuidado em relação à pureza varietal das sementes adquiridas. Nesse caso estabeleceram-se pastagens com variedades de Panicum misturadas. O pecuarista dá pouca importância a este fato porque acredita que "tudo é capim e o gado consome". Esse conceito frouxo sobre qualidade de sementes provoca prejuízos consideráveis à eficiência de pastejo, provocando perdas significativas da forragem produzida. Assim, quando plantas de capim mombaça ou tobiatã estão misturadas às de tanzânia na pastagem, observa-se perda considerável devido ao sub pastejo na mombaça e tobiatã que formam moitas vigorosas compostas de plantas altas e com muita haste.

Esse fato também contribui para reduzir a produtividade do capim tanzânia, que sofre o super pastejo, impedindo que a planta produza ao nível da condição edafo-climática onde cresce.

A pior situação nestas condições fica caracterizada pelo fato de que não há como corrigi-las através do manejo sem intervenção pela erradicação da planta forrageira que representa a menor proporção na pastagem. Esse controle seria realizado através da aplicação localizada de herbicidas ou por roçadas nas moitas individuais da variedade invasora. Esses controles representam custos que seriam evitados pela aquisição cuidadosa das sementes.

O pecuarista não dá a devida importância ao controle de plantas invasoras na formação de pastagens. Estudos recentes na ESALQ demonstram que a produção da pastagem é aumentada significativamente quando se mantém a área livre de daninhas até 45 dias da semeadura. O interessante é, que a partir de duas semanas da semeadura, a planta invasora já inicia o processo de competição e redução da produção da forrageira. Esses fatos demonstram que o controle das invasoras deve ser feito até duas semanas da semeadura e a área deveria ser mantida livre de invasoras até 45 dias do crescimento. Desconhecendo esses aspectos da competição da planta invasora no início do estabelecimento da pastagem, o pecuarista espera a dominância da planta forrageira através da sua maior taxa de crescimento do que o da planta invasora. Certamente a planta forrageira dominará a invasora se a taxa de semeadura e as condições de estabelecimento forem favoráveis; entretanto paga-se o preço dessa competição pela formação de hastes na planta forrageira que reduz o consumo do animal e, em casos extremos, ocorre o acamamento da planta forrageira. O reflexo do acamamento é a degradação precoce de áreas onde o perfilhamento da planta forrageira é impedido ou dificultado pelo sombreamento da massa de forragem acamada.

O tratamento de sementes com inseticidas e/ou fungicidas produz resultados positivos e garantem a formação uniforme em áreas onde pragas como cupim subterrâneo, grilos e formigas cortadeiras como Quenquém e Mata-pasto estão presentes. Reboleiras de áreas mal formadas devido à presença dessas pragas permitem o crescimento de plantas invasoras e contribuem para degradação das pastagens.

Taxas de semeadura mais elevadas do que as convencionais têm sido testadas com resultados positivos para incremento na produtividade da planta forrageira durante os primeiros cortes (pastejos) após a semeadura. Esses reflexos positivos estão, provavelmente, relacionados com a capacidade de perfilhamento inicial da planta, formação mais rápida de índice de área foliar para interceptar a incidência luminosa e auxiliar no controle das invasoras. Sem dúvida, à medida que os pastejos ocorrem, as vantagens iniciais das taxas de semeaduras mais elevadas tendem a produtividades semelhantes das obtidas com taxas de semeaduras mais baixas ou convencionais.

Francisco Dübbern de Souza, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, afirmou, corretamente, que pior que o insucesso na formação de pastagens é o sucesso parcial de sua formação. Certamente com pastos mal formados torna-se difícil obter resultados econômicos positivos e desmistifica a crença de muitos pecuaristas e técnicos que formar pastagem é fácil.



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