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Sementes JC MASCHIETTO

Artigo publicado na Revista JC Maschietto ano 01, no 01, agosto/2003

Artigo: Produção de Leite a Pasto
Dr Sergio Novita Esteves - Dr Airton Manzano - Dr Alfredo R. de Freitas - Dr Nelson Novaes - Dr Oscar Tupý

Pesquisadores da EMBRAPA Pecuária Sudeste, São Carlos, SP.

O uso de pastagens de gramíneas forrageiras tropicais é a base de uma pecuária leiteira sustentável sob o prisma ambiental, social e econômico. Devido à elevada participação da alimentação no custo de produção (40 a 50%), haverá a necessidade de utilizar um alimento volumoso que tenha: BOA QUALIDADE (10 a 14% de proteína bruta e 58 a 62% nutrientes digestíveis totais), ELEVADA PRODUTIVIDADE (produção de 20 t de matéria seca/ha, no mínimo) e BAIXO CUSTO DE PRODUÇÃO (quadro abaixo). A ampliação do uso das pastagens para o maior tempo possível ao longo do ano permitirá uma redução expressiva nos custos de produção e, consequentemente, aumento da margem de lucro, gerando renda às propriedades, principalmente, as de cunho familiar.

Tabela 1 - Custo de produção de 1 tonelada de matéria seca (MS) dos principais alimentos volumosos.
ALIMENTO VOLUMOSO CUSTO DE PRODUÇÃO
( R$ / t MS )
pastagem rotacionada de gramínea forrageira tropical 40 a 60
cana de açúcar 80 a 100
silagem de milho 120 a 140
feno de gramínea forrageira tropical 150 a 200
Fonte: Boletim do Leite, FEALQ, Piracicaba (SP), no 78 e 79, 2000.

Com base nessas informações, concluí-se que a melhor opção seria fornecer durante o ano todo, apenas pastagens de gramíneas forrageiras tropicais em manejo rotacionado. Ratificando essa conclusão, deve-se salientar que no caso da cana de açúcar, da silagem de milho e do feno, há de ser acrescentado a este custo, a mão de obra necessária para distribuição aos animais, elevando os custos.

É possível produzir leite baseado apenas no uso da pastagem durante todo o ano? Sim, desde que a capacidade de suporte seja baseada na produção da forragem durante o período de menor crescimento (estação seca no Brasil central). O problema nesse caso é que a lotação será baixa, não permitindo elevada produtividade da terra, um dos pilares que sustentam o lucro. A produtividade depende basicamente de dois fatores: quantidade de vacas em lactação por unidade de área (hectare) e média de produção de leite do rebanho. Esse efeito da lotação baixa será sentido com maior intensidade, primeiramente, nas propriedades de menor porte.

    Acompanhe a simulação:
  • uma propriedade com área de 10 ha, média de lotação anual de 2 Unidades Animal (UA)/ha, (lembrando que uma UA é igual a um animal com peso vivo de 450 kg), suportará 20 UAs. Considerando que 70% dessas UAs são vacas (bom índice) e destas 80% estejam em lactação (bom índice), serão aproximadamente 11 UAs em lactação. Supondo que o peso médio das vacas seja de 450 kg e uma produção média de 10 litros diários, esta propriedade estará produzindo um volume de 110 litros/dia. A um preço de R$ 0,35/litro (lembre-se de considerar o menor preço, pois se a técnica a ser implementada não se pagar com o preço mais baixo do leite ao longo do ano, não deverá ser introduzida), a renda bruta mensal será de R$ 1.155,00. Considerando um lucro de 30% (alto), o ganho mensal será de R$ 346,50, sem a venda de animais.
  • a mesma propriedade decidiu e agiu no sentido de aumentar a média da lotação anual de sua área para 10 UAs/ha, passando a suportar agora 100 UAs. Considerando que 70% dessas UAs são vacas (bom índice) e destas 80% estejam em lactação (bom índice), serão aproximadamente 56 UAs em lactação. Supondo que o rebanho possui as mesmas características descritas acima, esta propriedade estará produzindo um volume de 560 litros/dia. A um preço de R$ 0,35/litro, a renda bruta mensal será de R$ 5.880,00. Considerando um lucro de 20% (normal), o ganho mensal será de R$ 1.176,00, sem a venda de animais.

No caso acima, a média de produção das vacas foi mantida para efeito de comparação. É evidente que a seleção do rebanho no sentido de aumentar a média de produção de leite deverá ser realizada. Neste caso, o uso dos alimentos concentrados é essencial para suprir exigências nutricionais, que porventura as pastagens não consigam atender (no geral, acima de 10 kg de leite/dia).

Mas como obter lotação média de 10 UAs/ha ao longo do ano, se durante a época seca do ano (Brasil central) as pastagens sofrem com a estacionalidade da produção? Nessa época, será preciso utilizar outros alimentos como cana de açúcar, silagens ou fenos, como volumoso principal. A consequência dessa alteração no cardápio é o aumento do custo de produção, pois todos eles têm um custo de produção superior ao das pastagens e, além disso, necessitam de mão de obra para serem manuseados.

A volta ao uso das pastagens dependerá da elevação da temperatura ambiente, dos aumentos da intensidade luminosa e do fotoperíodo e do início das chuvas. Em relação a este último aspecto, surge a irrigação como alternativa, não para eliminar a estacionalidade de produção, mas para ampliar o tempo de utilização das pastagens ao longo do ano e eliminar o risco de veranicos (períodos secos durante a estação chuvosa, com duração superior a 10 dias), incorporando, no mínimo, os meses de setembro, outubro e abril aos meses de novembro a março, quando normalmente, a pastagem é utilizada como único volumoso. A partir de agosto na região do Brasil central, os fatores climáticos: temperatura, fotoperíodo e intensidade luminosa, passam a limitar cada vez menos o crescimento das gramíneas forrageiras tropicais. A água e a nutrição das plantas assumem o comando da aceleração do crescimento vegetal. Portanto, o objetivo da irrigação é reduzir ao máximo possível a utilização de alimentos volumosos oferecidos nos cochos, visando a redução no custo de produção.

No projeto de pesquisa e desenvolvimento realizado pela EMBRAPA São Carlos, a introdução de tecnologias como produção de leite a pasto, com suplementação no período da seca foi implantada no Sítio Nossa Senhora das Graças de Vivaldo de Melo Junior localizado no município de Cardoso (SP). Em 2002, a lotação média tem sido de 15 UAs/ha com produção média de 14 kg de leite/dia dentre as 40 vacas em lactação (560 litros diários). Os 28 piquetes de 1.000 m2 dos capins Mombaça e Tobiatã, garantem a alimentação volumosa do rebanho de agosto até abril, graças à utilização de um sistema simples de irrigação. A produtividade da terra é de 15.800 kg de leite/ha/ano, considerando uma área ocupada de 12,9 ha. O custo de produção médio nos últimos 12 meses é de R$ 0,273. Esses índices zootécnicos e econômicos serão melhorados substancialmente com o decorrer do tempo.



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