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A pecuária brasileira na última década
Por Alcides Torres (1)
Colaborou Pamela Alves (2)
Artigo publicado na Revista JC Maschietto no 10, junho/2012

A pecuária é uma atividade que sempre foi desafiada. Nos últimos dez anos, vem enfrentando a valorização das terras, a elevação dos custos de produção, não acompanhada pelos preços do boi gordo, pressões externas de origens diversas e a concorrência com outras atividades agrícolas. Estes fatores, entre outros, como safra e entressafra, e fatores climáticos, refletem, direta ou indiretamente, no valor pago pela arroba. Veja a figura 1.

Figura 1.
Preços da arroba, em valores nominais, em São Paulo, entre 2002 e 2012.

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

No período, os preços nominais pagos pela arroba bovina, em Barretos-SP, quase duplicaram. A média paga em 2002 foi de R$56,60. Na comparação com a média do ano passado, R$100,80, a diferença é de 78,1%.

Quando se desconta a inflação, o ciclo pecuário fica mais evidente. O ciclo atual, que se iniciou em 2006, tem demonstrado oscilações maiores e está num patamar de preços mais elevado em relação ao anterior. Observe a figura 2.

Figura 2. Preços da arroba, em valores reais, em São Paulo, entre 1996 e 2012.

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

No Brasil, houve expansão do rebanho nos últimos anos devido à retenção mais expressiva de fêmeas ocorrida entre 2007 e 2010. Desta forma, a tendência é de aumento na oferta de animais, o que vem acontecendo desde 2011, e de carne, o que caracteriza a entrada na fase de baixa do ciclo. A participação das fêmeas nos abates chegou a 38,8% em 2011, após quatro anos em queda.

Nos últimos anos, os custos de produção subiram tanto para a pecuária de corte de alta e de baixa tecnologia, quanto para o confinamento, puxados principalmente pelos custos com fertilizantes, mão de obra, maquinário, entre outros (figura 3).

Figura 3. Índice Scot do custo da pecuária de corte de baixa,
alta tecnologia e confinamento.

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Os custos de produção da pecuária subiram mais do que o boi. Como no período os preços do boi gordo variaram abaixo da inflação, o boi gordo perdeu valor real, causando encurtamento das margens da atividade pecuária.

Mesmo com a margem mais apertada, o Brasil se tornou o maior exportador de carne bovina. De 2002 a 2007, o incremento no volume exportado foi de 151%.

Desde então, o volume vem se reduzindo, puxado principalmente pelas crises econômicas, pelas variações cambiais e pelas barreiras comerciais, sob a bandeira da sanidade, impostas ao Brasil. O ajuste da rastreabilidade também tem sido problema.

De 2007 até 2011, as exportações de carne bovina (in natura, processada e salgada) caíram 32,5%, passando de 2,58 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec) para 1,74 milhões de tec (figura 4). Entre 2008 e 2009, o cenário foi em decorrência da crise.

Figura 4.
Exportações brasileiras, em milhões de toneladas equivalente carcaça (tec)

Fonte: MDIC / Compilado pela Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

De acordo com dados do MDIC, compilados pela ABIEC, em 2008, os cinco maiores importadores respondiam pela compra de 58,4% da carne bovina in natura exportada. Desde então, ano a ano, essa concentração foi aumentando, tendo atingido 66,8% no ano passado.

Isso mostra a dependência brasileira de poucos mercados e a alta concentração dos embarques para destinos reduzidos, o que é negativo para o país. Caso haja restrição de embarques a um determinado destino, o país pode ter uma queda acentuada nas exportações até que haja a realocação dos produtos. Este pode ser um dos motivos da queda dos embarques nos últimos anos.

Mas mesmo com o volume embarcado em redução, o contrário pode ser dito do faturamento. Apesar de 2011 ter mostrado o menor volume exportado desde 2004, neste ano o faturamento US$5,5 bilhões, foi recorde. Isso é resultado da carne bovina brasileira mais cara no mercado internacional. O ano passado também foi recorde para o valor da tec, US$3.164,64, valor 157,12% superior ao praticado em 2001.

A valorização do dólar auxilia as exportações. A média do dólar para venda em 2011 R$1,87, valor 6,25% superior à media de 2010.  A exportação afeta relativamente pouco o preço do boi. Observa-se, entretanto, que os maiores volumes exportados aconteceram na fase de baixa do ciclo.

Dessa forma, o dólar valorizado auxilia os frigoríficos exportadores.  Para o pecuarista, o impacto é mais secundário, através de valorização de diesel e da soja.

Assim como o Brasil possui uma carteira reduzida de clientes internacionais, a concentração dos frigoríficos aumentou de forma considerável nos últimos dez anos. Os três principais frigoríficos nacionais possuem capacidade para abater 30%, em relação à capacidade estática dos abates formais brasileiros.

O boi brasileiro, majoritariamente criado a pasto, privilegiando o bem-estar animal, vem sendo acusado, dentre outras coisas, de ser a fonte primária do desmatamento. Entretanto, a área ocupada pela pecuária encolheu ao longo dos anos. Provando seu profissionalismo ao aumentar em taxas acima das registradas em nível mundial, utilizando menos área.

O rebanho bovino brasileiro atingiu 215,2 milhões de cabeças em 2011, aumento de 22% em relação a 2001. Em contrapartida, a taxa anual de desmatamento, em mil hectares, vem diminuindo. Em 2011, foram 680 mil hectares, 69% menos do que a taxa registrada em 2002, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Isso mostra a evolução e tecnificação da pecuária de corte.

A população mundial, assim como a demanda por carne, está em crescimento.  Em 2011 a humanidade ultrapassou sete bilhões de pessoas. Mais gente significa mais consumo. O consumo crescerá 1,5% ao ano nos próximos 10 anos, segundo projeções da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). No Brasil, o quadro não é diferente. Para 2012, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um aumento de 2% no consumo de carne bovina pela população brasileira.

Dados do último censo demográfico do Instituto Brasileito de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os índices de desigualdade social vêm encurtando. A escolaridade aumentou, assim como o rendimento médio. Em 2011, a renda do brasileiro foi recorde. A melhoria na renda tende a fazer com que o brasileiro consuma mais carne bovina.

O Banco Central e o governo brasileiro vêm tomando ações para estimular o consumo, como as reduções sucessivas das taxas de juros e facilitamento do crédito.

Uma série de fatores influencia o mercado do boi gordo ao longo do ano, como a demanda doméstica e internacional por carne, a renda da população, a situação econômica mundial, a concorrência das carnes alternativas, o custo da produção, o clima ser favorável ao desenvolvimento das pastagens e das culturas agrícolas e, consequentemente, do boi. Apesar das adversidades, a pecuária vem mostrando resultados recordes na última década. Não falta competência para melhorar ainda mais na próxima.

  1. Alcides Torres, engenheiro agrônomo
  2. Pamela Alves, zootecnista

Scot Consultoria
www.scotconsultoria.com.br



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