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Passo a passo para a adubação de pastagens
Moacyr Corsi
ESALQ/USP
Professor Titular
Departamento de Zootecnia
Artigo publicado na Revista JC Maschietto no 10, junho/2012.

Há cerca de um ano, conversando com um pecuarista que assessoro em Mato Grosso, fui surpreendido pela sua opinião sobre nosso trabalho quando me informou que estava “decepcionado” com a expectativa sobre as recomendações técnicas que fazia na propriedade depois de cerca de quatro visitas técnicas. Achei estranha aquela observação, considerando que os progressos que tínhamos feito já eram visíveis, além de seu entusiasmo pelo trabalho iniciado.

Certamente minha resposta foi “Por que?”, e ele respondeu, “Porque as pessoas com quem conversei, antes da sua primeira visita, me asseguraram que você iria me orientar para adubar as pastagens, e até agora você nunca mencionou a adubação como alternativa técnica”. Expliquei que a adubação só seria aplicada depois que tivéssemos executado as tarefas necessárias para possibilitarem a resposta econômica da adubação. Disse que teríamos que fazer as “lições de casa” antes de discutirmos sobre esse assunto e que, à medida em que avançássemos nessas tarefas, a necessidade da adubação ficaria evidente.

Hoje já adubamos algumas áreas e o maior interesse desse pecuarista é aumentar a área adubada, o que nem sempre é possível, por fatores que poderiam limitar a resposta econômica do uso de fertilizantes em pastagens.

As seguintes “lições de casa” precisavam ser feitas nessa fazenda:

Melhorar o manejo das pastagens

Os objetivos dessa prática eram os de elevar a taxa de lotação evitando perdas de forragem.

Não é pouco frequente se observar perdas de 60% da forragem produzida por falta de manejo. Desse modo justifiquei que não fazia nenhum sentido ter iniciado nosso trabalho recomendando adubações das pastagens. Essa atitude só aumentaria o nível de perdas e teria resultado econômico negativo e imensa frustração sobre o futuro da atividade pecuária.

Perdas são inadmissíveis em agricultura, mas em pastagens elas são raramente reconhecidas como fator limitante da produção.

A perda da forragem sob pastejo provoca a degradação da pastagem devido ao super pastejo que permite o estabelecimento de invasoras.

O reflexo do manejo correto permite elevação da taxa de lotação sem nenhum investimento. Esse fato ocorre porque podemos aproveitar cerca de 70% da forragem produzida. Assim, se antes perdíamos 60% e pelo manejo podemos reduzir essas perdas para 30%, o resultado é um aumento na taxa de lotação em cerca de duas vezes. Evidentemente, se as perdas de forragem forem menores o impacto sobre a elevação na taxa de lotação não seria tão significativo.

Controle de invasoras
O objetivo é de reduzir a competição por luz, nutrientes, água e acesso animal à planta forrageira ao redor da invasora.

Trabalhos têm demonstrado que baixos níveis de invasoras (13%) afetam a produção da planta forrageira adubada, enquanto que níveis ao redor de 50% de invasoras têm pouco efeito sobre a produção de forragem em áreas de baixa fertilidade.

À medida que a fertilidade do solo é melhorada, a necessidade de controle de invasoras aumenta. Além desse fato, não há como fazer uma distribuição uniforme de corretivos e fertilizantes com a presença de invasoras.

A distribuição uniforme de corretivos e fertilizantes na área é de primordial importância para proporcionar crescimento homogêneo na planta forrageira, o que permite o manejo adequado do pastejo. Desuniformidade na distribuição dos fertilizantes provoca crescimento irregular da planta forrageira, causando perdas por sub pastejo nas faixas adubadas e super pastejo em áreas que não receberam fertilizantes.

Quando iniciar a adubação

À medida em que o manejo de pastagens progride, a altura das plantas forrageiras atinge o resíduo pós pastejo adequado para rebrota rápida das plantas forrageiras. Para gramíneas do gênero Panicum (Mombaça e Tanzânia) esse resíduo seria de 30 a 50 cm dependendo da fertilidade do solo, sendo que resíduos mais altos são indicados para níveis mais baixos de fertilidade. Para o Braquiarão, Xaraés (MG-5), humidícola e Cynodon (Tifton) esses resíduos em áreas de baixa fertilidade seriam de 25 a 30 cm; 20 a 25 cm; 15 a 20 cm; e 15 a 20 cm, respectivamente.

A pastagem inicia a degradação quando a altura de pastejo está em patamares inferiores a esses valores. O processo é iniciado devido ao baixo vigor da rebrota, o que provoca reduzida competição da planta forrageira sobre a invasora.

A adubação deve ser iniciada quando parte significativa das pastagens estiver atingindo as alturas de resíduo propostas acima. Nesse caso, o objetivo da adubação em área determinada da fazenda é reduzir a pressão de pastejo sobre os pastos que não forem adubados, de modo a garantir a altura de resíduo pós pastejo enquanto o rebanho é deslocado para as áreas adubadas, de maiores produções.

Trabalhos têm indicado que, dependendo do nível de adubação e da área a ser adubada, é possível concentrar mais do que 50% do rebanho em cerca de 20% da área de pastagens. Esse fato permite a recuperação de pastagens e manutenção dos níveis de produção das áreas não adubadas.

Análise de solo

Após a definição da área a ser adubada, que sempre se deve dar preferência para as mais produtivas e/ou de melhores pastagens, deve-se fazer a amostragem do solo para análises. Inicialmente essas amostragens são de prospecção, isto é, tem o objetivo de avaliar a fertilidade média das áreas. Em anos seguintes fica claro quais as áreas que devem ser particularizadas para amostragem, à semelhança de procedimentos usados para a agricultura de precisão.

Com base nas análises de solo determinam-se os níveis das adubações, a área a ser adubada, níveis de corretivos (calcário e gesso, principalmente) e fórmulas de fertilizantes.

Área a ser adubada

Um dos erros mais frequentes na adubação de pastagens é não considerar os objetivos da adubação, que são o que determinam a área a ser adubada. Se houver exagero quanto à área e/ou nível de adubação haverá sobra de forragem, o que se traduzirá em perdas. Se não houver áreas adubadas suficientes haverá falta de forragem e/ou redução no desempenho animal, refletindo sobre o ganho de peso diário, ou produção de leite por vaca, ou aumento no intervalo entre partos, ou redução no peso à desmama.

A área a ser adubada depende da evolução que se pretende no rebanho e a área a ser recuperada através da interação da adubação, do aumento da taxa de lotação dos pastos adubados e da fertilidade natural do solo capaz de manter a sustentabilidade do sistema de produção. Desse modo pode-se garantir capacidade de suporte em áreas não adubadas sem a degradação das pastagens.

Resumo

A adubação de pastagens não envolve somente os conceitos sobre nutrição de plantas. Para resposta econômica da adubação há necessidade de se conhecer o manejo das pastagens e dos animais, definir o nível de competição da planta invasora, o método e a época de realizar esse controle, determinar a área a ser adubada e a taxa de lotação possível de manter em áreas não adubadas de modo a garantir sua sustentabilidade.
Sem a integração de conhecimentos próprios da exploração pecuária torna-se mais difícil difundir a tecnologia da adubação de pastagens.



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