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A integração do sistema de produção animal em pastagens intensificadas

Dr Moacyr Corsi
Professor Titular do Depto. De Zootecnia , ESALQ/USP

Acadêmicos do Projeto C.A.P.I.M.
Tiago A.C. Carvalho da Silva
Miguel Miiti Shiota
Andreza P. da Silva Cruz

Terreno fértil para o sucesso é a discussão de idéias. Elas mudam as atitudes e fazem as pessoas construírem embasamento para justificar as decisões assumidas. Isso tudo exige praticas iniciais como: esforço mental, coordenação de idéias, busca de argumentos que são apresentados para reforçar a defesa das hipóteses. A mudança de atitude é de extrema importância na vida das pessoas, tanto na vida pessoal (continuando a estudar, aprendendo idiomas, computação, etc) quanto nos empreendimentos profissionais (sistema de produção animal em pastagens, investimentos em máquinas, equipamentos, tecnologias inovadoras, etc), pois as torna mais competitivas e bem sucedidas. Para tal é necessário ser um pouco melhor do que fomos no dia anterior, como diz o ditado: ‘’hoje enfrento um leão mais forte do que o de ontem’’.

Há algum tempo assessoro um pecuarista no MT, onde presenciei a conversa entre essa pessoa e um visitante amigo. Discutiam sobre a necessidade do pastejo rotacionado comparado ao contínuo. Até essa data não tinha ouvido esse tipo de discussão entre pecuaristas, embora venha trabalhando nessa área há muito tempo.

Fiquei orgulhoso em perceber que o pecuarista usava argumentos em defesa da implantação do sistema rotacionado, que eram impossíveis de serem confrontados com as hipóteses do defensor praticante do ‘’pastejo contínuo’’. Aliás, faltou nos argumentos do anfitrião  explicar que o ‘’pastejo contínuo’’ que seu amigo estava realizando não representava nenhuma modalidade de pastejo. O pastejo contínuo praticado corretamente, isto é, quando se procura equilibrar a oferta de forragem com a demanda do rebanho é tão eficiente como o rotacionado com taxas de lotação média (cerca de 2 a 3 UA/ ha). A dificuldade de implantar o uso do pastejo contínuo corretamente está na variação da capacidade de suporte das pastagens ou dos piquetes. Essa adequação da taxa de lotação para equilibrar a oferta e a demanda de forragem é imprescindível para o sucesso desse sistema de pastejo.

Em propriedades que exploram a pecuária em maiores áreas, torna-se ainda mais difícil essa prática devido às distâncias que os animais devem se deslocar para ajustar as taxas de lotações nos piquetes. Fator mais limitante nesse sentido é a frequência com que isso deve ser feito no período de crescimento rápido das plantas forrageiras. Semanalmente, em caso de plantas de crescimento rápido (pastos adubados ou estabelecidos em terrenos férteis) ou mensalmente em áreas de pastagens menos produtivas.

O principal argumento usado em defesa ao pastejo rotacionado foi a perda de forragem. Avaliando os pastos dessa propriedade, que usa o pastejo rotacionado com o auxílio de cerca elétrica, era evidente a surpresa do visitante com a uniformidade do pastejo em toda a área da fazenda. Também o impressionou, positivamente, a rebrota das plantas forrageiras que apresentavam folhas verdes apesar da seca que assolava a região há meses.

Tudo isso é esperado no método do pastejo rotacionado, em que a uniformidade do pastejo é o principal objetivo. Essa uniformidade na altura do pastejo tem a finalidade de aumentar a eficiência do pastejo, ou seja, reduzir as perdas de forragem motivada pela preferência dos animais em pastejo contínuo. Nos piquetes rotacionados a altura das plantas pós pastejo é muito semelhante em qualquer parte dos piquetes, o que reflete na eficiência elevada de uso da forragem produzida, que pode variar de 60 a 80% (ou seja, aproveita-se de 60 a 80% da forragem disponível). No pastejo contínuo a diferença de altura da planta forrageira é significativa, refletindo aproveitamento de 30 a 50% da forragem disponível.

Outra vantagem, não percebida pelo visitante, é que a permanência de folhas verdes na rebrota das áreas com pastejo rotacionado representa benefícios não apenas na nutrição do animal nessa época, mas, também, na velocidade da rebrota quando iniciarem as chuvas. Pode-se afirmar que essa rebrota promoverá acúmulo de forragem cerca de 2 a 3 vezes maior do que nas áreas não manejadas.

O mais interessante é que quanto maior o nível de fertilidade do solo, melhor a qualidade da formação da pastagem, maior potencial de produção da planta forrageira e mais necessário se torna o pastejo rotacionado para evitar perdas de forragem que crescem vigorosamente durante o período das chuvas.

O visitante apresentou o argumento que a divisão dos pastos era investimento a ser considerado. O anfitrião mostrou que a cerca elétrica era eficiente para conter animais se fosse bem cuidada quanto à manutenção e tinha custo suportável se a propriedade fosse planejada para ser intensificada gradualmente. Como isso? Iniciando as reformas ou recuperações das pastagens pelas melhores áreas da fazenda. Não só em fertilidade do solo (que deve ser corrigido de qualquer modo), mas pela facilidade de acesso, próximas de infra-estruturas que permitam o manejo dos animais (currais, corredores) e, principalmente, que permita a distribuição da água em bebedouros.

Porque esses cuidados?”, perguntou o visitante. O anfitrião explicou que a melhora na fertilidade do solo, as divisões em piquetes e o planejamento na distribuição das aguadas têm o objetivo de elevar a produção de matéria seca da forragem, permitindo elevada eficiência de pastejo, que em conjunto refletem em aumento na taxa de lotação. Quando essas glebas reformadas ou adubadas passam a exigir maior taxa de lotação, é evidente que os demais pastos da propriedade terão suas taxas prévias de lotação rebaixadas por cederem animais para os pastos recém formados/recuperados com plantas de elevado potencial de produção, adubadas, e com manejo controlado através do pastejo rotacionado.

Em algumas fazendas a adubação de 17% da propriedade suportou cerca de 50% do rebanho. Se a propriedade do visitante tivesse 1000 ha e a taxa de lotação fosse a média nacional de 1cab/ha (0,8UA/cab) a adubação ou reforma de 17% da área (170 ha) permitiria colocar na área trabalhada 500 cab (50% de 1000 cab com taxa de lotação de cerca de 2,3UA/ha). No restante da propriedade (830 ha) ficariam as 500 cab restantes do rebanho, ou seja, com 0,6 cab/ha. Assim a taxa de lotação nos pastos não adubados, que era de 0,8UA/há, decresceu para 0,6 UA/há. Essa redução na taxa de lotação certamente permitiria algumas vantagens indiscutíveis e irrefutáveis como: a) recuperação natural (sem intervenção com fertilizantes) de boa parte das pastagens em degradação; b) sobra de forragem para o período da seca (‘’inverno’’); c) o custo de recuperação/reforma de grande parte dessas pastagens poderia ser evitado ou reformado com espécies de maior potencial produtivo, uma vez que os preconceitos sobre o sistema rotacionado foram desfeitos, ou melhor, entendidos.

Com esse argumento o anfitrião explicou que as áreas que ele reformaria naquele ano seriam as que facilitassem a distribuição das aguadas, das infra-estruturas e estivessem próximas das glebas já trabalhadas. Essas áreas concentrariam a maior parte do rebanho durante o ‘’verão’’ (período de chuvas), facilitando o manejo de animais. Aliás, é justamente nessa época do ano que ocorrem a reprodução, a cria, o maior ganho de peso dos animais, a necessidade de controle de ectoparasitas, etc.

As discussões, argumentações e contra argumentações pareciam estar convencendo o visitante quanto às vantagens de se dar atenção ao manejo do pastejo e dos animais. Entretanto, mesmo que o visitante não tenha se convencido, certamente ele estará pensando em outros argumentos  para enfrentar as discussões futuras e, quem sabe, mudar de atitude.

Por fim a mudança iniciada com discussões de idéias, credibilidade em conceitos ou em experiências só podem ter maior sucesso se a adoção de tecnologias for o mais complementar possíveis: manejo do pastejo e dos animais, distribuição adequada das aguadas, suplementação mineral e/ou protéico/energética, cuidados com a sanidade, valorização do mérito genético dos animais, etc, para não ocorrerem frustrações e comprovar o que sempre ouvi de meu pai: ‘’Se fizer pela metade você recebe menos que metade’’.



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