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Suplementação de bovinos em pastagens

Flávio Augusto Portela Santos
João Rebouças Dórea
Departamento de Zootecnia
ESALQ/USP

Artigo publicado na Revista JC Maschietto no 08, setembro/2010

O desempenho animal em pastagens é determinado principalmente pela ingestão de nutrientes. Esta por sua vez, é determinada pela composição bromatológica e pelo consumo de forragem pelo animal.
 Animais mantidos em pastagens tropicais durante a seca, com baixos teores protéicos e energéticos e recebendo apenas suplementação mineral, normalmente apresentam perda de peso durante esse período. Nesse caso, o teor baixo de proteína na forragem limita a fermentação ruminal, a degradação da fração fibrosa do alimento e a ingestão de forragem, resultando via de regra em ingestão insuficiente de proteína e energia para desempenho satisfatório do animal (REIS et al., 2004). A manutenção do peso ou ganho moderado na primeira seca após a desmama, pode ser obtido com estratégias específicas de suplementação com doses restritas ou moderadas (0,1 a 0,5% do PV) de suplementos protéicos. Quando o objetivo é a terminação em pasto do animal nessa época crítica do ano, doses altas de suplemento protéico energético podem ser fornecidas aos animais.

Quando mantidos exclusivamente em pastagens tropicais durante o período quente e chuvoso do ano, os animais normalmente apresentam ganho de peso diário entre 0,5 a 1,0 kg cab-1, com valor médio ao redor de 0,700 kg. cab-1.  De modo geral, o potencial genético desses animais não é expresso em regime de pasto nas águas. Isso se deve principalmente à restrição na ingestão de energia, podendo ocorrer também restrição protéica em pastagens mais pobres. Nesse caso, doses moderadas (0,3 a 0,6% do PV) de suplemento energético ou protéico energético podem resultar em aumentos no ganho de peso diário da ordem de 0,15 a 0,4kg cab-1.

Dessa maneira um programa bem elaborado de suplementação com concentrado pode constituir-se em ferramenta auxiliar para melhorar o desempenho individual dos animais em pastagens, aumentar a taxa de lotação dos pastos, aumentar a produção total de carne por unidade de área, melhorar a qualidade da carcaça obtida e favorecer a preparação dos animais que serão terminados em confinamento, além de encurtar o período desse confinamento.

A viabilidade econômica da suplementação depende de vários fatores, como: custo da suplementação, ganho extra obtido, preço da arroba do boi, efeito da suplementação na lotação dos pastos, encurtamento do ciclo produtivo, menor tempo de terminação em confinamento, dentre outros fatores. A terminação dos animais em confinamento após o período de pasto, com a venda na época de preço favorável na entressafra, pode aumentar a viabilidade da suplementação com concentrado.  

2. Recria em pasto

De modo geral, a suplementação na seca é um investimento mais seguro e de maior eficiência em termos de ganho de peso extra por kg de suplemento fornecido que a suplementação nas águas.

A suplementação nas águas deve ter maior efeito positivo quanto pior forem as condições das pastagens em termos quantitativos e qualitativos. Entretanto, tem sido demonstrado que mesmo em condições de manejo intensivo das pastagens nas águas, a suplementação com concentrado  pode ter efeito significativo no ganho de peso dos animais, na lotação das pastagens e na redução do tempo de terminação em confinamento.

Na Tabela 1 são apresentados dados de 4 experimentos conduzidos no Departamento de Zootecnia da ESALQ com garrotes recriados em pastagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu, manejadas em sistema rotativo com altas taxas de lotação no período das águas. Foram estudados níveis, fontes e estratégias de fornecimento de concentrados para os animais.

Tabela 1. Níveis e fontes de suplementos para bovinos na fase de recria em pastos de Brachiaria brizantha cv. Marandu.

Exp

dias

%PB  pasto

suplemento
%PV

suplemento % PB

GPD kg

UA/ha

GPV/ha kg

Correia (2006)

109
109
109
109

12,6
12,4
12,7
12,6

0
0,3
0,6
0,9

-
20
20
20

0,595
0,673
0,810
0,968

4,5
5,3
5,6
6,1

542
675
893
1033

Costa
(2007)

 

152

152

15,3

15,3

0

0,6

-

11

0,54

0,96

5,8

6,1

-

-

Neto (2010)

151

151

11,9

11,9

0

0,55

-

8,0

0,535

0,827

5,9

7,0

887

1522

Correia (2006)

183

183

13,5

12,3

0,6

0,6

10,3

18,5

0,903

0,909

9,4

9,6

1778

1821

Com base na Tabela 1 acima, fica claro o potencial da suplementação nas águas em aumentar o ganho de peso dos animais, a lotação dos pastos e a produção de carne por área. O aumento na lotação dos pastos decorre da redução do consumo de pasto. O gráfico 1 abaixo é resultado da compilação dos dados de 24 trabalhos de pesquisa revisados. Pode ser observado o efeito marcante da suplementação energética na redução do tempo de pastejo dos animais.

1
Gráfico 1 . Efeito da suplementação no tempo de pastejo
Fonte: SARKER AND HOLMES, 1974; CHACON AND STOBBS, 1976; LANGLANDS AND SANSON, 1976; MALECHEK AND SMITH, 1976; STRICKLIN et al., 1976;   JAMIESON AND HODGSON, 1979a; JAMIESON AND HODGSON, 1979b; HENDRICKSEN AND MISON,1980; STOCKDALE AND KING, 1983; ZOBY AND HOLMES, 1983;   ADAMS et al., 1986; DUNN et al., 1988; OLSON AND MALECHEK, 1988; BEVERLIN et al., 1989; OLSON et al., 1989; WALKER AND HEITSCHMIDT, 1989; DELL CURTO et al., 1990; BARTON et al., 1992; ADAMS, 1985; DÓREA, 2009*; BODINE E PURVIS et al., 2003 ; VENDRAMINI et al, 2006 ; MACARI et al., 2007 ; VENDRAMINI et al., 2007.
(*) Dados não publicados – Comunicação pessoal

Para observar o comportamento da taxa de lotação em função dos  níveis de concentrado, 9 trabalhos foram compilados (Gráfico 2).
1
Gráfico 2. Efeito da suplementação na taxa de lotação
Fonte: RAMALHO, 2006; DELL' AGOSTINHO NETO, 2010; VENDRAMINI ET AL., 2006; VENDRAMINI ET AL., 2007;  NEWMAN ET AL., 2002;  PERRY ET AL., 1971; CORREIA, 2006;  COSTA, 2007;  DA CRUZ ET AL., 2009 .

3. Efeito da suplementação energética durante recria de bovinos em pastagem sobre a terminação em confinamento

Nutricionistas e pecuaristas têm questionado os setores de pesquisa sobre os efeitos da suplementação de bovinos durante a fase de recria em pasto, na terminação desses animais em confinamento. Poucos trabalhos têm sido conduzidos nessa área.

Drouillard & Kuhl (1999) revisaram 11 trabalhos sobre a suplementação na fase de recria em pasto e seu efeito na terminação em confinamento. Em 7 trabalhos não houve efeito e em 4 houve redução no desempenho na fase de terminação.

Em trabalho recente conduzido por Lomas et al. (2009), a suplementação energética na fase de recria melhorou o desempenho animal nessa fase. Durante a fase de confinamento os animais suplementados mantiveram a vantagem de peso obtida no pasto, sem alterações no consumo e ganho de peso. O período de confinamento foi menor e o marmoreio da carne foi maior para os animais suplementados.

Dois trabalhos foram conduzidos no Departamento de Zootecnia da ESALQ/USP (Correia, 2006; Ramalho, 2006) para estudar os efeitos da suplementação energética no desempenho de animais recriados em pastos com altas taxas de lotação durante as águas e o desempenho desses animais durante a terminação em confinamento. Em ambos os trabalhos os animais suplementados ganharam mais peso durante a fase de recria em pasto que os animais não suplementados. Na fase de terminação houve redução no tempo de confinamento e aumento no rendimento de carcaça e grau de acabamento dos animais (Correia, 2006) ou maior ganho de peso e eficiência alimentar (Ramalho, 2006) para os animais suplementados na fase de recria em pasto.



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