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Sementes JC MASCHIETTO

Artigo publicado na Revista JC Maschietto ano 01, no 01, agosto/2003

Artigo: A História do Panicum maximum no Brasil
Dra Liana Jank

Enga Agra Dra., Pesquisadora do CNPGC (Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte), EMBRAPA, Campo Grande.

A espécie Panicum maximum sempre esteve em destaque no Brasil por ser uma forrageira altamente produtiva, de ótima qualidade e adaptada a várias regiões do país. O capim Colonião teve destaque na agropecuária brasileira por ser responsável por grande parte da engorda de bovinos no país nas décadas de 60 a 80, por ser precursor da pecuária na Amazônia e por sua grande adaptação, sendo muitas vezes considerado nativo. Além destes pontos, é uma forrageira com bons resultados produtivos em outras categorias animais, como eqüinos e ovinos, contrariamente às braquiarias, que não são ingeridas por estes animais.

Os primeiros exemplares dessa espécie introduzidos no Brasil vieram da África Ocidental nos navios negreiros, onde eram utilizados como cama para os escravos, e uma vez aqui, se alastraram rapidamente, dando origem à primeira cultivar, o Colonião.

Posteriormente foram introduzidos materiais oriundos de estações de pesquisa estrangeiras e alguns se espalharam, como o Sempre Verde, Guiné, Guinezinho, Makueni, Embu, entre outros. Nenhuma destas, entretanto, revolucionou a pecuária nacional, uma vez que a cv. Colonião, além de ser muito produtiva, apresenta excelente qualidade, é altamente adaptada e produz grandes quantidades de sementes.

A grande revolução na pesquisa em lançamentos de novas cultivares se deu quando a França disponibilizou para o país sua coleção da espécie, composta por 426 introduções distintas coletadas na África nas regiões representativas da variabilidade natural da espécie. Esta coleção foi introduzida em 1982, e avaliada quanto às características agronômicas e morfológicas na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, MS. O sistema de avaliação neste Centro de Pesquisa tem consistido de avaliações sob cortes em parcelas pequenas (± 2,5 m2), em Campo Grande, durante dois anos, avaliações sob cortes em parcelas um pouco maiores (± 20 m2), em várias regiões do país, durante dois anos, avaliações de poucas introduções sob pastejo em piquetes (± 1000 m2) durante dois anos, e, finalmente, avaliação de uma ou duas das melhores introduções sob pastejo para estudar o desempenho animal. Tudo isso acompanhado por avaliações da adaptação aos diferentes solos, resposta à adubação e resistência a pragas e doenças. Só então estas cultivares são repassadas aos multiplicadores e produtores de sementes.

As cultivares lançadas pela Embrapa Gado de Corte e seus parceiros até o momento foram as cvs. Tanzânia-1, Mombaça e Massai. A cultivar Tobiatã também faz parte desta coleção, mas foi selecionada na África, e lançada pelo Instituto Agronômico de Campinas. As características destas cultivares encontram-se na Tabela 1. As cultivares Mombaça e Tobiatã são de porte maior e folhas mais largas, seguidas pelo Colonião e Tanzânia-1, e todas são muito distintas da cv. Massai, que apresenta porte muito baixo e folhas finas. A cultivar mais produtiva é a Mombaça, sendo 135% mais produtiva que o Colonião, em termos de massa seca de folhas, e 27% mais produtiva que a Tanzânia-1, que por sua vez, é 85% mais produtiva que o Colonião. A cultivar Massai tem produção de massa seca de folhas semelhante ao Colonião. Todas as cultivares lançadas apresentam maior porcentagem de folhas em sua constituição que o Colonião. A única cultivar que supera este quanto a produção de sementes é a Tanzânia-1.

Em dois experimentos sob pastejo, o Tanzânia-1 apresentou maior produtividade animal e facilidade de manejo, sendo a produtividade animal do Mombaça um pouco inferior ao do Tanzânia-1 (Tabela 1). Por outro lado, apesar do Massai apresentar menor produtividade animal que o Tanzânia-1 e o Mombaça, ele se caracteriza por apresentar maior cobertura de solo, maior eficiência na utilização do fósforo do solo, e resistência às cigarrinhas das pastagens.

No Brasil, outras três Instituições de Pesquisa lançaram cultivares da espécie no mercado: Embrapa Cerrados com a cv. Vencedor, o Instituto Agronômico de Campinas com as cvs. Centenário e Centauro e o Instituto Agronômico de Campinas com as cvs. IZ-1 e Aruana. As três primeiras cultivares são resultados de cruzamento genético, e todas estão em maior ou menor grau no mercado.

Tabela 1. Características de algumas cultivares de Panicum maximum.
  Tanzânia-1
Mombaça Tobiatã Colonião Massai
Altura da planta (m)1 1,2 1,7 1,6 1,4 0,6
Largura da folha (cm)1 2,7 3,0 4,6 2,9 0,9
Produção de massa verde (t/ha)1 132 165 153 84 59
Produção de massa seca de
folhas (t/ha)1
26 33 27 14 16
Porcentagem de folhas1 80 82 81 62 80
Produção de sementes
puras (kg/ha)1
132 72 40 100 85
Cobertura do solo em pastagem (%)3 83 76 - - 87
Produtividade animal (kg/ha/ano) (Experimento 1)2 446 - 414 324 -
Produtividade animal (kg/ha/ano) (Experimento 2)3 720 690 - - 625
Resistência às cigarrinhas-das-pastagens4 alta moderada baixa moderada alta
Fonte: 1Jank (1995); 2Euclides et al. (1993); 3Euclides et al. (2000); 4Valério, J.R. (comunicação pessoal)

Atualmente, o P. maximum movimenta 11% do mercado de sementes de forrageiras no país, ou seja, em torno de U$ 27,5 milhões, dos quais U$ 25 milhões são referentes às cultivares Tanzânia-1 e Mombaça (Andrade et al., 2001).

Como envolvidos nos processos de geração de novas cultivares de P. maximum, em uma viagem pelo Brasil em 1983, conhecendo regiões de plantio do "Colonião", tivemos a oportunidade de conhecer o Sr. José Carlos Maschietto. Naquela época, já nos impressionou a sua seriedade e o seu conhecimento sobre o desempenho, adaptação e produção de sementes das cultivares existentes da espécie. De lá para cá, a empresa de Sementes JC MASCHIETTO cresceu, continuou sendo especializada em P. maximum, e tem desempenhado papel importante na interface Embrapa - produtor de sementes. Assim, somos testemunhos do trabalho sério na produção de sementes de alta qualidade e de origem comprovada produzidas por esta Empresa.

É com muito orgulho que vemos os resultados de nosso trabalho disponibilizados aos produtores rurais por empresas sérias, sendo adotados e elogiados em todo país. Relatos como o dos fazendeiros de Cachoeira, Espírito Santo (apresentado no Canal Rural) que plantaram o capim Tanzânia-1 e puderam verificar a elevação na produção média de leite por animal de 4 para 10 kg nos causa grande satisfação e alegria. Saber que este trabalho está ajudando não somente grandes fazendeiros, mas também médios e pequenos a melhorarem suas rendas e ainda saber que essas cultivares estão sendo exportadas para 26 países da América Latina nos motiva a continuar o trabalho.

E o futuro? Em Novembro de 2003 foi implantada mais uma rede de ensaios em cinco regiões do país, contendo 18 acessos da coleção e mais 4 híbridos. Os acessos que se mostrarem ser mais adaptados nacionalmente ou em cada região serão avaliados sob pastejo visando lançamento para os produtores. Da mesma forma, o programa de melhoramento por meio de cruzamentos continua, visando gerar nova variabilidade e combinar características de interesse de várias cultivares ou acessos em uma só. Assim, pode-se esperar novos lançamentos desta espécie no mercado e a manutenção da vitoriosa parceria entre a Embrapa, empresas de produção de sementes e produtores rurais.

Referências Bibliográficas

Andrade, R.P.de. Pasture seed production in Brazil. Proc. XIX International Grassland Congress, 2001, p.129-132.
Euclides, V.P.B.; Macedo, M.C.M.; Vieira, A; Oliveira, M.P.de. Evaluation of Panicum maximum under grazing. Proc. XVII International Grassland Congress, 1993, p.1999-2000.
Euclides, V.P.B.; Macedo, M.C.M.; Valério, J.R.; Bono, J.A.M. Cultivar Massai (Panicum maximum) uma nova opção forrageira: características de adaptação e produtividade. Anais da 37a Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia, Viçosa, Brazil. 2000 CD ROM.
Jank, L. Melhoramento e seleção de variedades de Panicum maximum. Simpósio sobre Manejo da Pastagem, 12., Piracicaba. Anais... 2001. Piracicaba : FEALQ, p.21-58.


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