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Arborização de Pastagens com Espécies Florestais Madeireiras: Cuidados na Implantação
Vanderley Porfírio-da-Silva¹
Moacir José Sales Medrado²
Maria Luiza Francesqui Nicodemo²
Rogerio Morcelles Dereti²

Íntegra do artigo publicado na Revista JC Maschietto no 07, setembro/2009

introdução
A arborização de pastagens é uma forma de uso das terras também conhecida por sistema silvipastoril. O termo Silvipastoril surge da combinação das palavras silvi (que significa “aquilo que é relativo ou oriundo da selva, da mata, da floresta”) e pastoril (que relaciona atitudes próprias do criador de gado em condições de campo, independente da espécie animal (normalmente refere-se ao ato de criar/cuidar animais domesticados em campos naturais ou plantados com espécies vegetais forrageiras).

Sistema Silvipastoril é a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área e ao mesmo tempo, e manejados de forma integrada. É uma alternativa para incorporar a produção de madeira ao empreendimento pecuário, reunindo as vantagens econômicas que cada um tem em separado, ou seja, o rápido retorno da atividade  pecuária e as características favoráveis do mercado de produtos florestais madeireiros.

Ao considerar a introdução/administração de um sistema silvipastoril na propriedade rural, o pecuarista deve: 1) entender os benefícios associados com as práticas silvipastoris; 2)planejar bem a implantação das árvores e considerar os objetivos atuais e futuros com o sistema; e 3)examinar os aspectos fundamentais de manejo necessários para um sistema silvipastoril próspero e lucrativo.

Benefícios do sistema silvipastoril
Em Sistemas Silvipastoris a produção animal é beneficiada pela melhoria das condições ambientais (proteção contra geadas, ventos frios, granizo, tempestades, altas temperaturas...).
A criação de animais ao ar livre, em uma pastagem adequadamente arborizada é capaz de contribuir para o seqüestro de carbono, para menor emissão de óxido nitroso (N2O) e para a mitigação da emissão de gás metano (CH4) pelos ruminantes. Todos esses gases são componentes importantes no aquecimento da atmosfera global (o chamado “efeito estufa”). Assim, é possível se pensar no “boi verde” e no “leite verde”conceitos ligados às condições ambientais em que os animais são criados.

Essas condições permitem excelente oportunidade de marketing da forma de produção, do produto e de seus derivados, atendendo a uma tendência mundial: a dos produtos ambientalmente adequados, socialmente benéficos e economicamente viáveis.

Planejamento para o plantio das árvores na pastagem
A distribuição adequada das árvores na pastagem é muito importante para o sucesso do sistema silvipastoril. Para  decidir sobre o melhor arranjo do sistema  é importante responder primeiro as seguintes perguntas:

  1. Para qual uso se destina a madeira produzida no  sistema silvipastoril (serraria, laminação, lenha, palanques de cerca, carvão)?
  2. Como a distribuição das árvores interfere sobre  a conservação do solo e da água?
  3. Existe uma direção obrigatória das linhas de plantio das árvores?

A finalidade da madeira produzida em sistema silvipastoril
Se o interesse for produzir madeira grossa para serraria ou laminação será necessário conduzir as árvores em espaçamentos maiores, por ocorrer mortes de árvores ao longo do tempo, o plantio deverá ser planejado para alcançar a maturidade com árvores adultas ocupando pelo menos 50 m2 cada uma. Isso dará, no corte final, algo entre 100 a 200 árvores/ha.

Para a finalidade de produzir madeira para lenha, carvão ou palanques de cerca, pode-se utilizar de espaçamentos menores entre árvores, de forma a conseguir um maior número de árvores e, portanto maior volume de madeira em pouco tempo.

É possível também produzir madeira fina e madeira grossa por meio de plantios menos espaçados e que serão desbastados, numa fase intermediária, colhendo madeira fina; e, conduzindo as árvores restantes por mais tempo para a produção de madeira de serraria e laminação.

Para a finalidade de produzir madeira para lenha, carvão ou palanques de cerca, pode-se utilizar de espaçamentos menores entre árvores, de forma a conseguir um maior número de árvores e, portanto maior volume de madeira em pouco tempo.

É possível também produzir madeira fina e madeira grossa por meio de plantios menos espaçados e que serão desbastados, numa fase intermediária, colhendo madeira fina; e, conduzindo as árvores restantes por mais tempo para a produção de madeira de serraria e laminação.

A Tabela 1 exemplifica como podem ser conduzidas as árvores plantadas em diferentes espaçamentos e densidades para obtenção de madeira com diferentes finalidades, e, portanto, para alcançar diferentes mercados. Os diferentes arranjos podem ser plantados menos espaçados e conduzidos por desbastes, produzindo madeiras para diferentes finalidades (madeira fina nos primeiros anos do sistema silvipastoril e madeira grossa nos anos finais da rotação).

Tabela 1 – Exemplo de plantios em diferentes espaçamentos e quantidades de árvores por hectare.

 

Arranjo espacial (espaçamento)

Finalidade da Madeira

Madeira Fina (carvão, lenha, palanques de cerca)

Madeira Grossa (serraria e laminação)

 

Espaçamento (m)

 

nº  árvores/ha

Área ocupada pela faixa de árvores (%)

 

Espaçamento

 

nº  árvores/ha

Área ocupada pela faixa de árvores (%)

 

Faixa de árvores em Linha simples

 

14 x 2

 

357

 

14,3

14 x 4
ou
28 x 4

179
ou
89

14,3
ou
7,1

Faixa de árvores em Linha dupla

14 x 2 x 3

417

25

18 x 3

185

11,1

Faixa de árvores em Linha tripla

14 x 3 x 1,5

1.000

40

20 x 3

167

10

Nota: não estão consideradas possíveis mortes de árvores ao longo do tempo. Baixe da internet http://www.cnpf.embrapa.br/pesquisa/safs/saber.htm  a planilha eletrônica para cálculo de árvores por hectare em função do arranjo espacial.

Outros arranjos espaciais podem ser utilizados, mas será sempre importante lembrar que no plantio em espaçamentos menores os desbastes deverão ser feitos mais cedo para não comprometer o desenvolvimento da pastagem.

A conservação do solo e da água
O sistema silvipastoril deve, assim como qualquer outro sistema de produção agropecuário, levar em consideração a conservação do solo e da água. Portanto a distribuição das faixas de plantio das árvores deverá ser em curvas de nível que é uma forma eficiente de impedir a erosão do solo e a perda de água por escorrimento superficial.
Para evitar o inconveniente das curvas de nível que se aproximam ou se afastam dependendo da declividade do terreno, utiliza-se o conceito de “linha-mestre” que favorece o plantio em faixas paralelas, mantendo a mesma distância de uma linha de árvore para outra.

A orientação das linhas de plantio das árvores
Nas condições climáticas brasileiras, a preocupação com a orientação das árvores deve ser com a conservação do solo e da água e não com a luz para o crescimento da pastagem pelos seguintes aspectos:

  • No Brasil,  predominam climas úmidos e quentes; o que significa que chove suficientemente bem para o crescimento das plantas, mesmo que sejam chuvas estacionais como é o caso de algumas regiões, as chuvas são de 1.000 a mais de 2.000 milímetros por ano. Na região semi-árida do nordeste brasileiro, onde a chuva, geralmente, não passa dos 800 milímetros por ano, a preocupação com a conservação da água deve ser maior ainda, pois chovendo pouco e com altas temperaturas, a distribuição das árvores em curvas de nível deve favorecer ainda mais para que a maior quantidade possível de água possa infiltrar-se e não escorrer pela superfície do solo causando erosão.
  • Os tipos climáticos predominantes no Brasil oferecem bastante luminosidade durante todo o ano (média de 5 kW. h.m-2/dia , energia igual à de 50 lâmpadas de 100 W ligadas em cima de 1 m2 de superfície da terra), portanto a preocupação com luz para o crescimento da pastagem deve ser menor do que com a perda de água por escorrimento superficial que pode causar erosão do solo. A energia solar que atinge as terras brasileiras é bastante alta, sendo  uma grande vantagem para o crescimento de árvores e pastagens, mas podendo prejudicar o conforto térmico do gado no campo.
  • Por meio de desramas e desbastes é feito o manejo das copas das árvores para regular o sombreamento de modo que permita a manutenção da produtividade da pastagem sem tirar a sombra para o gado, ou seja, manter uma sombra que favoreça o bem-estar do gado sem prejudicar o crescimento do capim.

Então, com as árvores plantadas em curvas de nível como ilustrado nas Figuras 1 e 2, verifica-se  o seguinte:

  • a conservação do solo e da água
  • o controle da erosão
  • a melhoria do conforto térmico e o bem-estar do gado pela sombra
  • a diminuição do aparecimento de trilhas no sentido da pendente do terreno (trilhos do gado morro a baixo) pelo fato do gado passar a caminhar acompanhando as linhas de árvores.


Figura 1 -  Árvores plantadas em curvas de nível sem construção de terraços. Mesmo em área considerada “plana” sempre tem um sentido de escorrimento da água das chuvas.


Figura 2 – Silvipastoril com faixas de árvores de linha simples implantadas em curvas de nível com terraços.

Com as árvores plantadas na posição correta, não haverá dificuldades para a manutenção de terraços e a sua conservação será favorecida pela “ordenação” do caminhamento do gado sobre a crista  (parte alta)  e  nas “costas” do terraço, como ilustra a Figura 3


Figura 3 – Posição de plantio da(s) árvore(s) no terraço. 1 = plantio no terço inferior do terraço; 2 = plantio na crista do terraço; 3 = plantio no terço superior do terraço.

(¹)Embrapa Florestas
(²)Embrapa Sudeste


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