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Desafio da sustentabilidade na pecuária de corte

Por Vilemondes Garcia de Andrade Filho

Artigo publicado na Revista JC Maschietto no 07, setembro/2009

O Brasil é grande produtor e exportador de carne bovina, tendo um rebanho calculado em cerca de 193 milhões de cabeças de gado, do qual 80% é formado pela raça nelore ou por anelorados, que ocupam uma área de 220 milhões de hectares. São números significativos para a economia do País e um desafio enorme do ponto de vista da gestão ambiental, considerando que a pecuária – junto com a agricultura - é responsabilizada como uma das atividades que mais impactam o meio ambiente. A questão colocada é: como empreender este importante agronegócio fonte de alimentos de maneira menos invasiva?

Os efeitos negativos apontados, na sua maioria, estão relacionados ao sistema extensivo, principal meio de produção adotado no Brasil, reforçado pela falta de manutenção de pastagem. A pecuária é criticada também por ocupar áreas verdes e promover o desmatamento. Embora sejam muitas as variáveis que exijam solução adequada, nosso papel é enfrentar o grande desafio da sustentabilidade na pecuária de corte.

Exemplo disso é que muito trabalho tem sido feito para que o rebanho nacional da raça nelore contribua com o aumento da produtividade (kg/ha), seja via ganho de peso por kg de pasto, ou pela redução da idade de abate, fato que também tem contribuído para a diminuição da quantidade de gás metano emitido por quilo de carne produzida – outro fator imposto como poluente pela atividade pecuária. O metano é um dos principais gases que provocam o efeito estufa. Segundo pesquisa realizada pelo Cepea/Esalq/USP (maio/2008) quanto às emissões de GEE (Gases Efeito Estufa), a atividade contribui com cerca de 16% do total.

Apoiado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil – ACNB, o Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore – PMGRN, entre outros exemplos, há mais de 20 anos tem contribuído para o aprimoramento da raça em seu mais amplo sentido. Esse trabalho nos permitiu aumentar a qualidade do gado, resultando em melhoria da produtividade e diminuição da idade de abate, de cinco para três anos.

Além da redução da idade de abate, que contribui para diminuir a emissão GEE pela pecuária de corte, o setor vem sendo incentivado na melhoria da gestão e manejo da propriedade tais como: recuperação de áreas degradadas, controle do desmatamento, escolha da espécie forrageira que melhor se adapte às condições climáticas e ambientais, manejo correto da pastagem, uso de lotação rotacionada e controle do crescimento da pastagem, assim como da disponibilidade de forragem para atender à demanda da taxa de lotação.

O trabalho de campo realizado junto aos representantes dos segmentos que compõem a cadeia produtiva da carne é outra forma da ACNB contribuir para a evolução da raça e da pecuária. Em 1999, a entidade realizou os primeiros abates técnicos com o objetivo de obter informações para o desenvolvimento de um projeto que, mais tarde, viria a se chamar Programa de Qualidade Nelore Natural - PQNN.

Em 2002, os abates técnicos foram configurados em forma de um campeonato, o Circuito Boi Verde de Julgamento de Carcaças. Desde então a avaliação dos animais tem sido utilizada como ferramenta pedagógica e indicativa das condições do rebanho nacional e das peculiaridades de cada região, visando dar subsídios para uma produção eficiente e rentável.

O resultado do campeonato é um exemplo do que já tem sido feito em termos de melhoramento genético, padronização de lotes, uso correto do solo, no que diz respeito à pastagem, correto manejo nutricional, entre outros fatores que colaboram para a melhoria da produtividade do rebanho e, por consequencia, da sustentabilidade.

As avaliações dos mais de 60 mil animais Nelore, em 10 estados do país e no Paraguai mostram que: 67,7% destes animais apresentaram no momento do abate até 4 dentes incisivos permanentes, ou seja, se classificariam como novilho precoce, sendo que em determinadas regiões do país este índice chegou a mais de 80%. Outro índice alcançado foi que 90,3% dos animais apresentaram-se com peso acima de 16@, sendo a sua maioria com mais de 18@. No quesito terminação de carcaça, mais de 60% dos animais se apresentaram com gordura entre mediana ou uniforme, ou seja, de acordo com a demanda do mercado.

Estes dados validam o potencial da raça Nelore como produtora de carne em quantidade e qualidade, permitindo aos produtores praticar uma pecuária de ciclo curto, eficiente e sustentável.
A sustentabilidade da pecuária deve ser discutida por todos os integrantes da cadeia produtiva da carne, pois o tema tornou-se uma exigência mundial a ser debatido em qualquer atividade produtiva. Assim, a moderna produção pecuária requer diminuir o ciclo de produção, utilizando as diferentes tecnologias de manejo e uso de pasto associadas aos ganhos genéticos e de gestão.

Vilemondes Garcia de Andrade Filho é presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil – ACNB, empresário e criador de Nelore desde 1987. Há quase 20 anos está presente no movimento associativo da pecuária brasileira.



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