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Sementes JC MASCHIETTO

Artigo publicado na Revista JC Maschietto ano 01, no 01, agosto/2003

Artigo: Manejo de cultivares de Panicum maximum
Dra Patricia Menezes Santos 1
Prof. Dr. Moacyr Corsi 2

1 Engª Agrª Dra, Pesquisadora da EMBRAPA Pecuária Sudeste, São Carlos, SP.
2 Prof. Dr. do Departamento de Zootecnia, ESALQ/USP, Piracicaba.

A espécie Panicum maximum, cujo representante mais difundido é o capim Colonião, possui um elevado potencial de produção, como já foi comprovado tanto por pesquisadores quanto por produtores. Apesar disso, a insatisfação dos pecuaristas com os níveis de produtividade alcançados e com o ritmo de degradação de suas pastagens fez com que este passasse a ser substituído, principalmente pelas braquiárias, a partir da década de 60. O insucesso dos pecuaristas no cultivo e manutenção de pastagens de Colonião, no entanto, não era devido à espécie em si, mas ao mau manejo e aos baixos índices de fertilidade do solo.

Até pouco tempo, o objetivo no manejo de pastagens era permitir que a planta tivesse uma rebrota vigorosa e elevada produção, contudo se observou que isso nem sempre levava à elevadas produções animais. Atualmente, se considera que um pasto bem manejado é aquele onde se consegue colher elevadas quantidades de forragem de boa qualidade. Para atingir esse objetivo é necessário aliar altas produções à perdas reduzidas, não esquecendo que o pasto deve ser colhido enquanto ainda apresenta um bom valor nutritivo.

Apesar dos cultivares apresentarem diferentes potenciais, obter elevadas produções em áreas de Panicum maximum não parece ser um problema, desde de que as condições de fertilidade do solo e o manejo sejam favoráveis. Em um experimento realizado na ESALQ/USP no período de outubro a maio, por exemplo, foram observadas taxas de acúmulo diárias de forragem da ordem de 157 e 113 kg MS/ha.dia para os capins Mombaça e Tanzânia, respectivamente. Se os níveis de aproveitamento da forragem fossem elevados, essa produção seria suficiente para manter lotações acima de 10 UA/ha. No entanto, em pastagens tropicais com manejo tradicional dificilmente se consegue aproveitar mais que 50% do que é produzido, enquanto para pastagens temperadas existem dados mostrando aproveitamento de até 82%. Nesses casos, o controle das perdas e da qualidade da forragem se tornam os principais desafios no manejo da pastagem.

Os perfilhos das plantas forrageiras conseguem manter um número relativamente constante de folhas e, após ser atingido esse número, sempre que aparecer uma folha nova a mais velha irá senescer (morrer). Isso significa que quando a folha não é colhida em um determinado espaço de tempo, ela inevitavelmente morre. Deste modo, para reduzir as perdas por senescência, é necessário conhecer o tempo de vida das folhas, e os intervalos entre pastejos devem ser determinados de tal forma que a maior parte das folhas tenha chance de ser colhida pelo menos uma vez.

A Tabela 1 mostra a taxa de senescência foliar nos capins Tanzânia e Mombaça quando submetidos a 28, 38 e 48 dias de intervalo entre pastejos. Esses dados são as médias do período de outubro a maio, sendo que no resto do ano praticamente não houve senescência nos intervalos entre pastejos avaliados.

Tabela 1: Efeito do intervalo entre pastejos sobre a taxa de senescência (cm/dia.perfilho) nos capins Mombaça e Tanzânia no período de outubro a maio.
Intervalo entre
pastejos (dias)
Taxa de senescência (cm/dia.perfilho)1
Capim Mombaça
Capim Tanzânia
28 0,74 B 0,34 C
38 1,17 B 0,71 B
48 2,07 A 2,01 A

1 Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente (p<0,05).
Fonte: Santos (1997).

Esses resultados mostram que no capim Mombaça a senescência de folhas é mais precoce que no capim Tanzânia, o que sugere que ele deva ser pastejado mais freqüentemente para reduzir as perdas de forragem.

A ação do trânsito dos animais sobre a planta forrageira, fazendo com que os perfilhos tombem e fiquem sujeitos ao pisoteio também é responsável por perdas de forragem. Esse efeito se torna mais significativo à medida que o pasto fica mais alto, podendo, em casos extremos, chegar a prejudicar a rebrota do pasto.

A chave para um bom manejo de pastagens de Panicum talvez esteja no controle do desenvolvimento das hastes, pois, se por um lado elas são responsáveis por boa parte da produção de matéria seca, por outro, elas interferem na capacidade de colheita do animal e na qualidade da forragem.

No caso dos capins Mombaça e Tanzânia, a participação das hastes é maior nos pastejos menos freqüentes, sendo que a relação folha/haste atinge valores críticos durante o florescimento (maio).

O método de pastejo mais recomendado para os principais cultivares de Panicum é o rotacionado. Desta forma, torna-se necessário estabelecer o ciclo de pastejo, ou seja, os períodos de ocupação e descanso a serem adotados.

O período de ocupação vai depender do ritmo de crescimento das plantas e da estrutura disponível na propriedade. Quanto menos tempo os animais permanecerem em cada piquete, maior vai ser o controle do homem sobre o pasto e maior será a necessidade de infra-estrutura (cercas, aguadas, cochos de sal, etc). Desta forma, em áreas mais intensificadas, onde o ritmo de crescimento das plantas for bastante elevado, o período de ocupação deve tender a um dia. Já nas áreas mais extensivas, onde não se utilize adubação nitrogenada este período pode ser estendido, não devendo, no entanto, ultrapassar uma semana.

Para se determinar o período de descanso deve-se levar em consideração informações de produção, perdas e valor nutritivo da planta forrageira. Dados obtidos no Departamento de Zootecnia da ESALQ - USP indicam que o Mombaça deve ser pastejado com menos de 28 dias de intervalo no período de novembro a maio e com mais de 48 dias entre maio e setembro. Já o Tanzânia deve ser pastejado com menos de 38 dias entre novembro e abril, com menos de 28 dias durante a fase reprodutiva (abril a maio) e com mais de 48 dias de maio a setembro (Santos, 1997).

Referência bibliográfica.

SANTOS, P.M. Estudo de algumas características agronômicas de Panicum maximum (Jacq.) cvs. Tanzânia e Mombaça para estabelecer seu manejo. Piracicaba, 1997. Dissertação (M.S.) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"/USP.



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