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Sementes JC MASCHIETTO

Artigo publicado na Revista JC Maschietto ano 01, no 01, agosto/2003

Artigo: Importância do Gênero Panicum na Produção de Carne Bovina no Brasil
Dr Luciano de Almeida Corrêa
Dra Patrícia Menezes Santos

Pesquisadores da EMBRAPA Pecuária Sudeste, São Carlos, SP.

O Brasil, em vista da extensão da sua área territorial e das condições climáticas favoráveis, apresenta enorme potencial de produção de carne em pastagens. É um país tropical, que possui a maior proporção de sua área situada entre as linhas do Equador e do trópico de Capricórnio, região do globo caracterizada por médias anuais de temperatura elevadas, e portanto, favorável ao cultivo de gramíneas forrageiras tropicais, do tipo C4, as quais possuem elevada taxa fotossintética, com produtividade muito superior às das forrageiras temperadas.

Dessa forma, a pecuária no Brasil pode consolidar-se como atividade importante para a produção de alimentos nobres para consumo interno, e também ocupar espaço crescente no mercado mundial. Neste cenário, a pecuária tem de garantir o fornecimento contínuo, ao longo do ano, de produtos de boa qualidade, e ser capaz, ainda, de se constituir em setor de alta produtividade e competitividade.

A produtividade animal em pastagens é determinada por dois componentes básicos: desempenho por animal (ganho de peso vivo) e capacidade de suporte (número de animais por unidade de área). O desempenho animal é função da ingestão de matéria seca, da qualidade da forragem e do potencial genético de animal utilizado, enquanto a capacidade de suporte é função do potencial de produção de matéria seca da forrageira e da eficiência de colheita.

Quanto ao desempenho animal, a média do ganho de peso vivo, nas águas, está na faixa de 0,6 a 0,8 kg/animal/dia, podendo chegar a até 1,0 kg/animal por dia.

Embora a média de ganho diário de peso vivo obtida normalmente nas pastagens tropicais não alcance a proporcionada pelas forrageiras temperadas, a produtividade animal pode ser alta, em razão do grande potencial de produção de matéria seca das espécies tropicais durante o período das águas.

Capins do gênero Panicum estão entre os mais importantes para a produção de bovinos nas regiões de clima tropical e subtropical: a cultivar Colonião é a mais difundida e de introdução mais antiga no Brasil. A demanda por sementes dessa cultivar vem diminuindo, em virtude de lançamentos de novas cultivares mais produtivas. O uso e o interesse por plantas pertencentes ao gênero Panicum têm crescido nos últimos anos, provavelmente em virtude de seu grande potencial de produção de matéria seca por unidade de área, ampla adaptabilidade, boa qualidade de forragem e facilidade de estabelecimento.

Dessa forma, já foram lançados no Brasil por diversas instituições de pesquisa várias outras cultivares de Panicum maximum, tais como: Tobiatã, Vencedor, Centenário, Centauro, Aruana, Tanzânia, Mombaça e Massai.

As cultivares de Panicum maximum Jacq. Disponíveis comercialmente são basicamente adaptadas a solos profundos, bem drenados e de boa fertilidade.

O cultivo dessas espécies em solos que não satisfaçam essas condições e que não recebem adequado suprimento de nitrogênio tem levado freqüentemente à má formação, ou, mais comumente a baixa persistência sob pastejo, com conseqüente perda da capacidade produtiva e necessidade de medidas corretivas de recuperação em curto prazo.

A Embrapa Pecuária Sudeste vem avaliando há vários anos as cultivares Tanzânia e Mombaça, as quais se tem destacado principalmente pela elevada produção sob adubação intensiva, boa qualidade de forragem, boa resistência à cigarrinha das pastagens, bom desempenho sob pastejo rotacionado e facilidade de propagação por meio de sementes.

Na Tabela 1, estão apresentadas informações sobre a produção por animal e por área obtidas com essas forragens sob pastejo rotacionado na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, SP.

Tabela 1 - Taxa de lotação e ganho de peso vivo (PV) de bovinos da raça Canchim e cruzados Canchim x Nelore em pastagens na Embrapa Pecuária Sudeste, São Carlos, SP, nas águas.

Gramínea/ano No de
animais
Categoria Adubação
(kg N/ha)
Ganho de PV
(kg/animal/dia*)
Ganho
de PV
(kg/ha)
Lotação
média
(UA/ha)
Tanzânia/1996a 65 Novilhas 200 0,680 803 5,8
Tanzânia/1997a 58 Garrotes 300 0,820 909 6,4
Tanzânia/1998a 60 Garrotes 300 0,850 935 8,5
Tanzânia/2002a 48** Bezerros 360 0,620 903 6,8
             
Mombaça/1997b 75 Novilhas 200 0,590 491 5,3
Mombaça/1998b 40 Vacas
com cria
200 - - 5,0
Mombaça/2002b 70 Garrotes 320 0,720 1000 7,8

* Após jejum de 16 horas.
** Apenas animais “testers”.

a Panicum maximum cv. Tanzânia.
b Panicum maximum cv. Mombaça.

Verifica-se na Tabela 1, a elevada produtividade de carne, para as duas cultivares, na fase de recria e engorda, com valores próximos a 1000 kg de PV/ha nas águas, o que representa mais que dez vezes a média da produção nacional. Nos meses mais favoráveis para o crescimento das plantas, a lotação tem atingido valores próximos de 10,0 unidades animais/ha (1 unidade animal equivale a um bovino de 450 kg de peso vivo).

Embora em sistema intensivo de uso das pastagens se consiga maior produção de forragem no período da seca do que nos sistemas extensivos, em decorrência principalmente do efeito residual das adubações, a estacionalidade da produção de forragem, em razão de fatores climáticos, vai continuar ocorrendo. A produção de forragem na seca persistirá representando de 10% a 20% da produção total anual, a menos que seja corrigida, em parte, com o uso de irrigação. Dessa forma, na exploração da pastagem, seja extensiva ou intensiva, haverá sempre um período de produção abundante de forragem, nas águas, e outro de escassez, na seca.

A fim de se manter o sistema de produção de carne intensiva o ano todo, a Embrapa Pecuária Sudeste também vem realizando estudos com essas duas gramíneas para uso na forma de silagem. Ainda que os diversos capins, diferentemente do milho, possam apresentar problemas que interfiram na fermentação, os mesmos podem ser resolvidos em parte com o uso de aditivos.

A Embrapa Pecuária Sudeste vem utilizando aditivo na forma de substrato como a polpa cítrica peletizada, a qual tem proporcionado melhora no padrão de fermentação e principalmente na redução de perdas por efluentes.

Trabalhos em andamento na Embrapa Pecuária Sudeste integrando pastejo e silagem de capim durante a seca tem mostrado bom consumo das silagens de capim Mombaça e capim Tanzânia por matrizes Nelore. Também trabalho ainda em andamento tem evidenciado o potencial do capim Mombaça na forma de silagem como volumoso alternativo em confinamento. Dados preliminares mostram bom consumo de silagem de capim Mombaça com 10% de polpa cítrica peletizada por garrotes na faixa de 16 a 20 meses de idade. A média de ganho de peso vivo obtido está na faixa 1 a 1,30 kg por animal/dia, utilizando 4 kg de concentrado por animal/dia.

Desta forma os resultados que estão sendo obtidos na Embrapa Pecuária Sudeste evidenciam o grande potencial das cultivares Tanzânia e Mombaça para a produção de carne bovina, seja na forma de pastejo e/ou forragem conservada na forma de silagem.



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