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Morte de pastos de capim-marandu

Rodrigo Amorim Barbosa1

No Brasil estima-se que mais de 90% da produção de bovinos de corte seja sustentada exclusivamente por pastagens ou a associação destas com algum tipo de suplementação. A partir disso, fica evidente a importância das pastagens nos mais variados ecossistemas. O crescimento das pastagens cultivadas, a partir da década de 70, foi a mola propulsora para incrementos em produtividade da produção animal. Nesse cenário, destacam-se as regiões Centro-Oeste e Norte do País que juntas detêm aproximadamente 49% do rebanho de bovinos de corte do Brasil em mais de 110 milhões de hectares de pastagens cultivadas.
Atualmente, os gêneros de plantas forrageiras mais importantes dos sistemas de exploração da pecuária de corte nessas regiões são Brachiaria e Panicum que foram utilizadas para expansão de novas áreas ou para a recuperação de pastagens degradadas. Dentro do gênero Brachiaria, o capim-marandu (Brachiaria brizantha cv. Marandu), lançado pela Embrapa Gado de Corte e Embrapa Cerrados em 1984, é aquele com maior representatividade no sistema produtivo. Pode-se dizer que houve um "casamento" dos produtores dessas regiões com esse capim. A justificativa para isso foram os atributos positivos do capim-marandu, como: alta produção de forragem, boa produção de sementes, boa cobertura do solo, estabelecimento rápido e resistência às cigarrinhas típicas de pastagem. No entanto, esse casamento, que está prestes a chegar às bodas de prata, parece estar acabando. O capim-marandu está morrendo e muito se discute por esse fato estar acontecendo em algumas áreas e em outras não.
Os Centros de Pesquisa da Embrapa têm estudado o assunto e obtido informações importantes sobre a situação. O fato é que muito dos problemas não são novos e permanecem como agentes potenciais da morte do capim-marandu. Nesse sentido, o desconhecimento dos limites de utilização dessa planta pode desencadear todo o processo de mortalidade. O capim-marandu é medianamente exigente em fertilidade do solo e muitos produtores ainda insistem em cultivá-lo em áreas de baixa fertilidade natural. Além disso, o manejam da mesma forma durante anos, sem preocupação com a reposição de nutrientes ou até mesmo com ajustes na lotação animal. É normal que os pastos nos primeiros anos sejam mais produtivos, e o produtor tome como referência esse período para planejar seu sistema de produção. Entretanto, vale lembrar que o solo não é uma fonte inesgotável de nutrientes e que, com o passar dos anos, caso não haja reposição de nutrientes, as plantas poderão perder sua capacidade produtiva dando oportunidade ao aparecimento de invasoras na pastagem. Esse processo que poderia ser evitado é catalisado quando práticas de manejo do pastejo não são implantadas corretamente. O ajuste da lotação animal de acordo com a oferta de forragem é uma importante ferramenta para reduzir o problema, porém grande parte das fazendas comporta um número excessivo de animais, achando que isso é sinônimo de alta produção. Estes são alguns dos motivos pelos quais têm-se estimativas da ordem de aproximadamente 60% de pastagens degradadas nos Cerrados brasileiros. Uma pastagem não aparece degradada de um dia para o outro. É um processo gradual de perda de capacidade produtiva e vigor, culminando com o aparecimento de áreas de solos descobertos, de plantas invasoras e alguns insetos-praga.
Admite-se que pastos nestas condições estejam sujeitos, com maior intensidade, a danos causados por agentes bióticos e abióticos. É fácil imaginar os danos causados por uma estiagem prolongada em uma pastagem com um sistema radicular pouco profundo que explora pequeno volume de solo. Ainda, nas mesmas condições é possível que pragas subterrâneas (percevejo-castanho, larvas de escarabeídeos) possam causar danos e, eventualmente, matar os pastos. Cabe lembrar que na maioria dos casos estes não são os agentes principais do processo, mas podem ser catalisadores dependendo do grau de infestação.
Por outro lado, a ocorrência de mortalidade de pastos de capim-marandu em áreas mal-drenadas vem tomando proporções preocupantes para o setor produtivo, principalmente nos estados de Mato Grosso, Pará, Acre e Rondônia. Esse evento vem sendo chamado de "síndrome da morte do capim-marandu" e ocorre durante o período chuvoso em áreas de solo com baixa permeabilidade. Os estudos realizados até o momento sugerem que a mortalidade do capim-marandu se deve à associação da falta de adaptação dessa cultivar ao encharcamento do solo, com posterior ataque de fungos patogênicos (dos gêneros Fusarium, Rhizoctonia e Pythium) que são beneficiados pela condição de alta umidade. Os sintomas da síndrome são o amarelecimento e posterior ressecamento das folhas das plantas, com distribuição em reboleiras dentro da pastagem.
O que tem sido proposto para minimizar o problema é a troca do capim-marandu por gramíneas tolerantes ao encharcamento do solo, tais como: Brachiaria humidicola, capim-tangola, grama-estrela roxa, Panicum maximum cvs. Tanzânia e Mombaça, Paspalum atratum cv. Pojuca, Brachiaria decumbens cv. Basilisk., Pueraria phaseoloides e Arachis pintoi cv. Belmonte, as quais por sua vez devem também obedecer aos requisitos necessários de fertilidade do solo. Para que essa substituição dê resultados satisfatórios, é necessário um correto diagnóstico nos locais de ocorrência. Exemplo a ser seguido é o do Estado do Acre que realizou um zoneamento de risco edáfico e potencial de morte do capim-marandu usando como referência fisiográfica o Mapa Pedológico do Acre. Esse levantamento indicou que mais de 50% do Estado apresenta risco forte de mortalidade de pastagens de capim-marandu.
Resultados como este são importantes para a conscientização de técnicos e produtores sobre os riscos do plantio do capim-marandu nas regiões nas quais o capim vinha apresentando alta mortalidade. Nos dias de hoje, dado os altos custos para implantação ou substituição das pastagens, é primordial se saber com antecipação o que o complexo solo-planta pode oferecer para se obter os melhores resultados.

1 Pesquisador da Embrapa Gado de Corte. Campo Grande, MS.


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