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Sementes JC MASCHIETTO

Artigo publicado na Revista JC Maschietto ano 02, no 02, set/2004

Conforto animal
Dr. Artur Chinelato de Camargo e Walter Miguel Ribeiro

EMBRAPA Pecuária Sudeste, São Carlos, SP.

Antes de ser domesticado, o bovino tinha por hábito pastejar preferencialmente durante o período noturno, na tentativa de despistar alguns de seus predadores, inclusive o homem pré-histórico. Com o passar do tempo, o homem, devido à proteção oferecida e a comodidade passou a alimentá-lo (cocho) ou deixando que o mesmo se alimente (pasto) ao longo do dia. Com isso, o calor tornou-se seu maior inimigo.

Sob o ponto de vista da vaca leiteira, o calor é um grande inimigo, provocando efeitos negativos como diminuição no consumo de alimentos e, conseqüentemente, queda na produção de leite e/ou ganho de peso, redução na eficiência reprodutiva e piora do estado de saúde dos animais. Sob o ponto de vista das gramíneas forrageiras tropicais (pasto), o sol é um grande amigo, permitindo a aceleração na produção vegetal. Como enfrentar esta contradição? Existem três opções: deixar a atividade, mudar de região ou aprender a conviver com o fato. Considerando a escolha pela última opção, a partir do momento que entendermos que o calor não é um inimigo e extrairmos dele o que ele pode nos oferecer de bom e minimizarmos seus efeitos prejudiciais ao nosso negócio, teremos aprendido a conviver em harmonia com o ambiente e o resultado será positivo.

Para que o efeito negativo do sol (calor) seja reduzido a níveis toleráveis, permitindo a utilização de animais produtivos, será preciso lançar mão de algumas práticas de manejo. A primeira mudança no manejo é mudar o hábito de pastejo, fazendo com que o lote, de maior produção (lote A), entre no piquete no FINAL DA TARDE / INÍCIO DA NOITE, para que elas consumam o "filé mignon" da pastagem. Na manhã seguinte, o lote de vacas com menor produção (lote B) terá acesso a este piquete, alimentando-se do restante (pastejo de repasse), a "costelinha" da pastagem, desde que não haja somente o "osso".

Durante o dia, das 9 horas da manhã (10 horas no horário de verão), até por volta das 16 horas (17 horas no horário de verão), as vacas deverão ter acesso livre a um local que deverá estar seco, com piso macio (gramado, terra, areia, etc.), sombreado, arejado (troca de calor), com bebedouro próximo e de fácil acesso, contendo água de qualidade e em quantidade.

A melhor sombra é oferecida pelas árvores, dando preferência ao plantio de renques, fileiras, ruas, linhas ou carreiras de árvores, da mesma espécie ou não, no sentido NORTE-SUL, para que a sombra "caminhe" ao longo do dia de oeste para leste, reduzindo a formação de lama.

Enquanto as árvores plantadas estiverem crescendo, devem ser estabelecidas sombras artificiais, podendo a cobertura ser de bambu, folhas de coqueiros, sombrite, telhas e outro material qualquer. A largura mínima deverá ser de 4 metros e a altura mínima de 3,5 metros em seu ponto mais baixo (pé direito). No caso da utilização de coberturas que não o sombrite, deve-se construir a instalação com apenas "uma água", com 10% de inclinação (mínimo), sendo o ponto mais baixo voltado para o OESTE. Para a escolha das árvores destinadas à sombra, devem ser evitadas árvores que em algum período do ano percam as folhas, troncos que possam significar algum tipo de risco aos animais, árvores sensíveis à geada, copa muito densa e que tenham crescimento muito lento.

A área de sombra por animal dependerá do relevo do terreno, ou seja, quanto mais plano, maior a área por cabeça. O espaço mínimo deverá ser de 10 m²/animal adulto, salientando-se que, quanto mais área for destinada à sombra, menores serão os riscos de acidentes e infecções no úbere e patas causados pelo barro.

Como outras práticas de manejo, visando oferecer maior conforto e bem-estar aos animais, podem ser citadas ainda: rodízio entre as áreas de sombra, bebedouros que ofereçam água de qualidade e em quantidade suficiente a todos os animais, evitar lidar com os animais (vacinação, pesagem, inseminação, etc.) no período compreendido entre as 10 e 16 horas e nunca tocar os animais a cavalo.

Mesmo uma vaca bem nutrida, livre de enfermidades e com incidência controlada de parasitos, poderá não expressar todo o seu potencial de produção, caso o ambiente não lhe ofereça conforto.

Essas práticas de manejo deverão sempre considerar o que é melhor para o animal, independentemente da vontade do ser humano, estabelecendo-se uma rotina, que, aliás, é muito apreciada pelos bovinos, principalmente o leiteiro.



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